Cientistas investigam o motivo pelo qual bebês bocejam no útero materno
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Cientistas investigam o motivo pelo qual bebês bocejam no útero materno

Atualmente, não há uma resposta definitiva sobre o motivo pelo qual os bebês bocejam enquanto estão no ventre materno. Embora todos os vertebrados, incluindo peixes e aves, apresentem o ato de bocejar, nos seres humanos este fenômeno começa por volta da 11ª semana de gestação, sendo extremamente difícil de ser estudado, pois só pode ser detectado através de ultrassom.

Na prática, a análise dos bocejos fetais exige um monitoramento prolongado e repetido dos fetos, além de considerar variáveis como idade gestacional e diferentes características maternas. Adicionalmente, os próprios cientistas divergem sobre a definição exata do que constitui um bocejo, visto que os bebês realizam diversos movimentos no útero, levantando dúvidas se o movimento é um bocejo ou apenas um alongamento oral casual.

Mesmo fora do ambiente uterino, a função do bocejo ainda gera muita discussão. A teoria de que o bocejo visa oxigenar o cérebro, embora amplamente aceita, enfrenta barreiras para comprovação; por exemplo, mesmo em ambientes com ar enriquecido em oxigênio, as pessoas continuam bocejando em resposta a outros estímulos.

Além da sonolência, diversos fatores podem influenciar a ocorrência de bocejos, tais como estresse, fome, dor, excitação, a necessidade de regulação da temperatura corporal e a presença de outra pessoa bocejando.

O bocejo fetal permanece um ponto cego para muitas dessas explicações. Não parece lógico que um bocejo intrauterino possa, por exemplo, indicar sono ou auxiliar na regulação térmica. Contudo, pesquisas mais recentes têm fornecido dados relevantes para esta área.

Em fevereiro de 2026, um estudo publicado na revista científica Plos examinou os bocejos de 32 fetos saudáveis. Os pesquisadores adotaram uma classificação que considera elementos além da simples abertura da boca, como o alongamento de outros membros e a velocidade de abertura e fechamento da boca.

Com essa metodologia, foi constatado que, ao longo de toda a gestação, os fetos apresentam a mesma frequência de bocejos observada em recém-nascidos e bebês, variando entre duas e cinco vezes por hora, em média. A investigação também revelou que fetos com baixo peso tendem a bocejar mais, o que leva os autores a sugerir a possibilidade de o bocejo fetal estar ligado a algum tipo de controle de estresse, dado que o baixo peso fetal está correlacionado com outros indicadores de estresse.

Os pesquisadores ressaltam, contudo, que ainda desconhecem todos os mecanismos intrauterinos envolvidos e que determinar uma causa precisa é muito complexo. Eles também apontam que o bocejo fetal pode não possuir função evolutiva, sendo meramente um subproduto de um mecanismo que só se manifesta completamente após o nascimento.

Posteriormente, em maio do mesmo ano, outro estudo, divulgado na revista Current Biology, apresentou um resultado ainda mais intrigante: o bocejo pode ser contagioso tanto entre a mãe quanto o feto. As gestantes participaram de um teste assistindo a três tipos de vídeos: um com pessoas bocejando, outro com pessoas abrindo e fechando a boca, e um terceiro com pessoas paradas.

Durante a exibição, câmeras registraram seus rostos e um aparelho de ultrassom monitorou, em tempo real, os movimentos faciais dos fetos. Ao verem bocejos, aproximadamente 64% das mães bocejaram, e um pouco mais da metade dos fetos reagiu de maneira similar cerca de 90 segundos depois, um intervalo comparável ao observado no bocejo contagioso entre adultos. Este efeito não ocorreu nas outras fases do experimento, quando foram mostrados vídeos de pessoas apenas movendo a boca ou mantendo uma expressão neutra.

Os pesquisadores também notaram que as mães que bocejavam com mais frequência tendiam a ter fetos que demonstravam esse comportamento com maior incidência. Embora isso ainda não configure uma prova da razão dos bocejos fetais nem uma relação de causa e efeito, representa uma associação que pode auxiliar os cientistas a desvendar este mistério.

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