O Governo da Espanha aprovou um «plano de choque» no valor de 309 milhões de euros destinado a Ceuta, visando lidar com a crise migratória e humanitária na cidade, bem como o impacto econômico gerado pela entrada ilegal de 72.000 indivíduos.
O porta-voz do governo da cidade autônoma, um enclave espanhol localizado no norte de África e com fronteira com Marrocos, declarou aos jornalistas que não poderia avaliar se o montante do dinheiro era adequado, pois o foco primordial deveria ser o retorno à normalidade. Ele ressaltou que ainda há um longo percurso a percorrer, enfrentando crises diárias e incorrendo em novos custos sem que o investimento total tenha sido avaliado.
Alejandro Ramírez sustentou que a restauração da normalidade em Ceuta somente será alcançável mediante a repatriação das pessoas que permanecem na cidade, incluindo milhares que ainda estão nas ruas devido à carência de locais para registro e acolhimento provisório.
O porta-voz solicitou ao Governo da Espanha que implemente ações persistentes e adote as medidas estruturais necessárias para evitar reincidências, além de promover um plano específico com um cronograma definido para as devoluções a Marrocos dos indivíduos que entraram ilegalmente em Ceuta nos dias 30 e 31 de julho.
As autoridades de Ceuta informam que há entre 8.000 e 9.000 dessas pessoas no enclave, enquanto o Governo espanhol estima que o número seja de aproximadamente 5.000. Alejandro Ramírez mencionou que as autoridades locais baseiam suas estimativas em dados da população e de diversas associações, mas considerou que o número real é o menor possível.
Ele alertou que mesmo se o número fosse de 5.000, ainda representaria um problema, citando o aumento da tensão nas ruas da cidade, tanto entre migrantes sem acesso a moradia ou outras condições, quanto entre migrantes e a população local.
Ramírez enfatizou que, independentemente da quantidade de recursos mobilizados para enfrentar a crise migratória e humanitária, a normalidade só virá com a repatriação, afirmando que os fundos seriam inúteis sem esse cenário, conforme relatado pela agência de notícias espanhola EFE.
Ángel Victor Torres, Ministro de Política Territorial da Espanha e responsável pela coordenação da crise em Ceuta, comunicou que 3.400 novas vagas de acolhimento temporário para migrantes foram criadas nas últimas semanas, elevando o total para 6.000.
Torres explicou que apenas com esses locais de acolhimento é possível registrar todas as pessoas que continuam dormindo nas ruas e iniciar os processos pertinentes, seja para repatriação ou para concessão de asilo, quando cabível.
O ministro garantiu que o objetivo é o retorno a Marrocos de todos os indivíduos que entraram ilegalmente no final de julho em Ceuta, mas ressaltou que este processo deve ocorrer em conformidade com a lei, sem estabelecer prazos definitivos.
Ele informou que mais de 90% das pessoas que entraram ilegalmente durante a onda de julho deixaram voluntariamente nos dias subsequentes, somando-se a 3.519 pessoas entre 10 e 31 de agosto. Torres destacou a importância deste último dado, pois se trata de migrantes que «sabem que não há esperança e que não terão asilo».
Adicionalmente, o Governo espanhol reportou a expulsão de 214 pessoas por cometerem delitos nas últimas semanas. Em relação aos menores desacompanhados, as autoridades mantêm 1.612 registros com processos abertos em Ceuta, sendo que cerca de 1.200 deles chegaram em 30 e 31 de julho.
Antes desta crise, a cidade possuía entre 500 e 600 vagas para acolhimento temporário de migrantes que chegavam ilegalmente, e sua população totaliza quase 83.500 habitantes. Ceuta, um pequeno território situado no extremo norte de Marrocos e banhado pelo Estreito de Gibraltar, constitui uma das duas fronteiras terrestres entre África e Europa, ao lado de Melilla.
