A história desta jovem faz parte da série semanal 'A Índia inventou isso?' do The Better India, que revela as ideias indianas, inovações e mentes por trás das invenções que mudaram nossas vidas. Estas histórias abrangem desde soluções geniais de cientistas e engenheiros até tecnologias desenvolvidas em resposta aos maiores problemas da Índia, explorando o problema que resolveram e seu significado a longo prazo.
Trabalhar com satélites é complexo: após o lançamento do foguete para o espaço, o aparelho tem uma jornada delicada pela frente. O satélite deve ser manobrado e gradualmente colocado em órbita precisa para começar a operar. Cálculos ou cronometragens incorretos podem colocar em risco anos de trabalho e uma máquina muito cara.
Em 2011, a cientista espacial indiana T. K. Anuradha estava lidando exatamente com esse problema. Como diretora do projeto da missão GSAT-12 na ISRO, ela ajudou a desenvolver e implementar um método inovador de controle de satélite geoestacionário durante sua colocação na órbita final. Esta metodologia contribuiu para o sucesso da missão e continua sendo usada nas operações de satélites.
Quando o pouso na Lua tornou o espaço possível
Nascida em 1960, Anuradha cresceu entre Shivamogga e Bangalore, tendo três irmãs. Seu pai, professor de sânscrito, dava grande importância à educação, e seu ambiente permitia que ela fizesse perguntas, participasse de discussões e seguisse sua curiosidade. Ela tinha um interesse especial por matemática e ciência.
Em 1969, como milhões de pessoas ao redor do mundo, a jovem Anuradha observou a chegada da Apollo 11 à Lua. Para ela, esta missão histórica não foi apenas um espetáculo distante; fez com que o espaço parecesse uma área na qual ela um dia poderia fazer parte. Em seguida, estudou eletrônica e tecnologia de comunicação na Universidade de Engenharia Visvesvaraya em Bangalore, onde se tornou a melhor aluna da universidade.
Três anos depois, ela se juntou à ISRO
Em 1982, Anuradha iniciou sua carreira trabalhando em testes de satélites, interfaces e sistemas que podiam avaliar o desempenho de espaçonaves em diferentes condições de missão. Essa experiência foi inestimável, pois o lançamento de um satélite é apenas o começo.
O problema escondido após o lançamento bem-sucedido
Tomemos o GSAT-12. Quando este satélite de comunicação foi lançado a bordo do PSLV-C17 em julho de 2011, ele entrou em uma órbita altamente elíptica. Em seguida, ele precisava ser cuidadosamente movido para a posição geoestacionária planejada, a cerca de 36.000 km acima do equador. Isso exigiu uma série de manobras de aumento de órbita meticulosamente calculadas.
A primeira manobra foi particularmente difícil: o satélite viaja mais rápido quando está mais perto da Terra, deixando aos engenheiros uma janela estreita para acionar os motores enquanto otimizam o consumo de combustível. Foi aqui que o trabalho de Anuradha se mostrou útil. Sua abordagem ao controle de satélites geoestacionários ajudou a equipe a colocar o GSAT-12 na órbita final. Não foi uma novidade que pudesse ser segurada na mão; foi algo mais silencioso — uma nova maneira de trabalhar com um complexo veículo espacial a milhares de quilômetros acima da Terra. Às vezes, são as inovações silenciosas na tecnologia espacial que tornam tudo o mais possível.
Centro de controle onde três mulheres assumiram o comando
Um outro momento histórico ocorreu na Terra. No Centro de Controle da ISRO em Hassan, Karnataka, Anuradha liderava uma equipe composta exclusivamente por mulheres que monitorava as manobras cruciais do satélite. Juntamente com a diretora da missão Pramodhai Hegde e a diretora de operações K. S. Anuradha, ela acompanhava cada movimento da espaçonave através de fileiras de telas e sistemas de antena.
Em um momento em que a antena do satélite foi desdobrada, aplausos ecoaram no centro de controle. Segundo relatos, Anuradha descreveu o sentimento de observar os primeiros passos do satélite em que trabalhava como o 'nascimento de um bebê'. No entanto, o avanço de gênero não era seu objetivo inicial; ela estava focada na missão. A importância da presença de três mulheres em uma operação tão crítica tornou-se evidente após o anúncio dessa conquista. Naquela época, Anuradha havia dedicado quase três décadas a acumular experiência em uma área onde a precisão é mais valorizada do que rótulos.
A mulher por trás da inovação
Finalmente, Anuradha se tornou a primeira mulher na ISRO a ocupar o cargo de diretora de projeto de satélite. Ao longo de sua carreira de 38 anos, ela trabalhou em várias programações de comunicação, sensoriamento remoto e navegação, incluindo GSAT-10 e outras missões GSAT. No entanto, talvez a parte mais interessante de sua história seja que seu maior avanço não veio da tentativa de provar que as mulheres podem trabalhar no espaço. Ele veio de fazer o que ela amava desde a infância: entender os princípios de funcionamento das coisas, fazer perguntas e encontrar a melhor maneira de resolver um problema.
Seu conselho às jovens é baseado na mesma filosofia: concentre-se em alcançar o desejado, não se distraia com opiniões alheias e siga seu caminho com clareza e convicção. Porque, às vezes, a inovação que ajuda um satélite a se mover no espaço começa com algo muito mais mundano — uma mente curiosa que se recusa a parar de perguntar: 'Será que isso pode ser feito melhor?'
