A União Europeia determinou a suspensão da compra de carne bovina proveniente do Brasil, com vigência a partir de quinta-feira, 3 de setembro, abrangendo a Irlanda e o restante da Europa. Esta proibição foi confirmada pelo gabinete do Comissário Europeu para a Saúde e o Bem-Estar Animal, Oliver Varhelyi, conforme relatado por Mullooly nas redes sociais e à imprensa irlandesa.
Mullooly especificou que a decisão não se limitava apenas à carne bovina, incluindo também aves, ovos, mel, tripas e pescados de origem brasileira. Em maio, a UE havia removido o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para consumo humano, com a entrada em vigor prevista para 3 de setembro deste ano.
A Comissão Europeia fundamentou essa exclusão no fato de o Brasil não estar cumprindo os requisitos relativos ao uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação.
Recentemente, a Lusa tentou obter um posicionamento do Ministério da Agricultura e Pecuária brasileiro sobre a aproximação do prazo estipulado pela UE, mas não obteve resposta até o momento. Documentos oficiais, divulgados em exclusivo pela Lusa em julho, indicaram que o governo brasileiro transferiu parte da responsabilidade por essa exclusão para o setor privado.
Em resposta ao Congresso Nacional, o ministério alegou que a adequação às novas normas sanitárias dependia «em grande medida» das próprias empresas brasileiras. Os documentos analisados pela Lusa demonstram que, ao longo de três anos, o governo brasileiro enviou vários ofícios, organizou encontros técnicos e solicitou reiteradamente propostas das entidades do setor que pudessem satisfazer as exigências da UE.
Adicionalmente, os registros consultados pela Lusa apontam que a autoridade europeia criticou a «recorrente falta de informações completas» fornecidas pelo governo brasileiro no período compreendido entre 2023 e 2026.
