Mecanismo de torpor permite ao beija-flor sobreviver à fome noturna
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Mecanismo de torpor permite ao beija-flor sobreviver à fome noturna

O beija-flor possui um ritmo de batimento de asas extremamente rápido, variando entre 50 e 80 vezes por segundo, gerando o zumbido característico. Este alto consumo energético leva o coração da ave a desacelerar drasticamente durante a noite, um processo conhecido como torpor, prevenindo que ela morra de fome enquanto dorme.

Durante o torpor, o metabolismo do pássaro cai em até 95%, e sua frequência cardíaca diminui de mais de mil batimentos por minuto para aproximadamente 40. O beija-flor é reconhecido por ter o metabolismo mais acelerado entre os vertebrados terrestres, consumindo oxigênio cerca de dez vezes mais rápido que um atleta humano em esforço máximo.

Em condições normais, seu coração bate entre 250 e 500 vezes por minuto em repouso e pode ultrapassar mil batimentos durante o voo. Para manter essa alta demanda metabólica, a ave deve se alimentar constantemente, muitas vezes ao dia, utilizando principalmente o néctar das flores, que serve como fonte de energia rápida, complementado por insetos e aranhas para obter proteínas.

Manter a temperatura corporal usual de cerca de 40°C faria com que as reservas de energia fossem esgotadas rapidamente, tornando o risco de inanição antes do amanhecer muito real. O torpor funciona como uma espécie de mini-hibernação noturna, permitindo que o beija-flor reduza significativamente seu metabolismo, respiração e temperatura corporal.

Estudos sobre a redução de temperatura

Pesquisadores das universidades do Novo México nos EUA e de Pretória na África do Sul documentaram uma queda extrema na temperatura corporal de beija-flores dos Andes peruanos. Um exemplar atingiu 3,26°C, sendo o valor mais baixo registrado em qualquer ave ou mamífero não hibernante. Este achado foi publicado no periódico científico Biology Letters em 2020.

A intensidade desse torpor varia conforme a espécie e a temperatura ambiental. Em regiões mais quentes, como grande parte do Brasil, a redução de temperatura tende a ser menos acentuada, embora o princípio de economia de energia permaneça o mesmo. Ao amanhecer, o beija-flor reinicia seu funcionamento, aquecendo os músculos através de tremores para conseguir voar.

Diversidade e cuidados com comedouros no Brasil

O Brasil abriga a maior diversidade de beija-flores do planeta, contando com cerca de 80 das 320 espécies conhecidas. Entre as espécies mais vistas em ambientes urbanos encontram-se o beija-flor-tesoura e o beija-flor-de-fronte-violeta. Quem mantém comedouros com água e açúcar em casa contribui diretamente para a saúde energética dessas aves, devendo usar uma proporção de quatro partes de água para uma de açúcar, similar à concentração do néctar natural.

É importante notar que o perigo reside na má higienização, e não no açúcar em si. Se a mistura não for trocada diariamente, ela fermenta e desenvolve fungos que podem contaminar o bico e a língua da ave, podendo causar sua morte por fome. Mel e corantes artificiais devem ser evitados, pois aceleram ainda mais o processo de fermentação. Um comedouro limpo e com solução renovada diariamente garante que o beija-flor chegue à noite com energia suficiente para enfrentar o ciclo de torpor.

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