Projeto arquitetônico integra casa existente com novo volume através de pátio central
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Projeto arquitetônico integra casa existente com novo volume através de pátio central

A descrição do projeto aborda a ideia de atravessar e ser atravessado por algo, sugerindo que o ato de atravessar implica um movimento e uma vivência que se desenvolve ao longo do tempo. No contexto deste projeto, a casa assume um papel fundamental, servindo como o meio que viabiliza uma jornada para Gabi, que está iniciando um novo caminho.

Existe um percurso de aproximadamente vinte e cinco passos entre o limite da rua e a residência pré-existente no terreno. Neste espaço intermediário, entre o ambiente público da rua e o privado da casa, há um pátio que é transitado diariamente. O conceito inicial foi imaginar este pátio como um elemento capaz de transformar esse trânsito em uma experiência diária, tanto para Gabi quanto para visitantes.

Essa vivência é construída através dos sentidos, englobando texturas e cores que variam conforme as estações, a presença de aves e insetos que seguem esses ciclos, aromas que surgem ou desaparecem, o chão coberto por folhas e a água, seja parada ou em movimento, que reflete o céu e o entorno.

O projeto envolve a recuperação de uma edificação de dois andares, que estava encostada no sudoeste e próxima aos fundos do lote. A um novo volume de um único nível foi adicionado, projetando-se para o leste. A estrutura original foi adaptada para concentrar as áreas de serviço e privadas, possibilitando que a parte mais íntima opere de forma autônoma. De cada setor, surgem vislumbres direcionados à paisagem doméstica.

O novo bloco foi concebido para abrigar as áreas sociais, com a premissa de se conectar e se integrar totalmente ao pátio. A atmosfera interna também reflete um relato pessoal criado por Gabi por meio de sua coleção de obras de arte. Dessa forma, a casa, seus espaços de transição e o pátio formam um contínuo unificado, propondo converter cada passo em uma experiência cotidiana, onde a paisagem penetra e se projeta no interior.

A escolha dos materiais reforça essa condição. A construção original apresenta uma aparência que esconde o sistema construtivo regional tradicional, feito de alvenaria de tijolos comuns rebocados, sendo vista como um volume neutro em contraste com a nova adição, executada em concreto aparente. Neste novo volume, os limites e a estrutura se destacam, manifestando as distintas qualidades plásticas que o material oferece.

Esta obra enaltece a conexão com a paisagem doméstica sob diversas perspectivas. O pátio não é visto meramente como uma extensão do interior durante dias amenos, mas sim como um mecanismo que convida e provoca experiências a partir das rotinas mais simples. Assim, o pátio se estabelece como o local onde a arquitetura e a paisagem criam uma experiência partilhada, funcionando como um meio pelo qual se pode percorrer a vida diária e, sobretudo, permitir-se ser tocado pelos estímulos naturais.

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