Flamingos nascem com penas claras e adquirem a cor rosa devido à alimentação rica em carotenoides
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Flamingos nascem com penas claras e adquirem a cor rosa devido à alimentação rica em carotenoides

Os filhotes de flamingos não possuem a plumagem rosa característica; eles nascem com penas de cor clara, que gradualmente ganham tonalidade à medida que amadurecem. Essa transformação cromática é diretamente influenciada pela dieta, pois o organismo absorve pigmentos denominados carotenoides presentes nos alimentos e os deposita nas novas penas.

Na natureza, esses pigmentos são obtidos através do consumo de pequenos crustáceos e algas. O corpo da ave metaboliza essas substâncias, utilizando-as para formar a coloração das suas penas, o que estabelece uma ligação direta entre a alimentação e a aparência do animal. O Smithsonian National Zoo esclarece que os carotenoides encontrados nas algas e nos crustáceos consumidos pelos flamingos são responsáveis pela coloração rosada da plumagem.

Carotenoides são pigmentos naturais capazes de gerar cores como amarelo, laranja e vermelho, estando presentes em diversos organismos e fontes alimentares. No contexto dos flamingos, eles são vitais para a produção da cor distintiva das penas. Um desses pigmentos é a astaxantina, que confere um tom avermelhado e também é encontrada em vários animais aquáticos, desempenhando um papel crucial na pigmentação de peixes e crustáceos.

Um estudo realizado por Denis L. Fox, publicado em 1955 na revista Nature, demonstrou que o flamingo-americano, Phoenicopterus ruber, obtém a coloração rosa-avermelhada de suas penas, pele das pernas e parte do bico a partir dos carotenoides da dieta. Este mesmo trabalho observou que flamingos mantidos em cativeiro tendem a perder progressivamente essa pigmentação se não receberem cuidados adequados para garantir a ingestão de carotenoides.

Essa descoberta sublinha a importância da nutrição para os flamingos em zoológicos. Sem uma fonte apropriada de carotenoides, a cor típica pode se tornar menos intensa com o passar do tempo, especialmente durante o processo de troca de penas. Assim, a cor não é um traço totalmente autônomo, mas sim dependente dos pigmentos que chegam ao organismo via alimentação.

A astaxantina possui aplicações além dos flamingos; ela também está associada à coloração rosada de outros seres aquáticos, como salmões e crustáceos. Uma revisão publicada em 2024 na revista Fish Physiology and Biochemistry detalha que a astaxantina é um carotenoide natural em diversos organismos aquáticos e é fundamental para a pigmentação de espécies de peixes e crustáceos.

No caso do salmão, a presença deste pigmento contribui para a cor rosada da carne. Em peixes criados em ambientes controlados, a astaxantina pode ser incorporada à ração para auxiliar na pigmentação. O camarão serve como outro exemplo, pois a astaxantina está presente nesses crustáceos e participa de sua coloração. Ao cozinhar o camarão, o calor modifica a ligação do pigmento com as proteínas, tornando o tom avermelhado mais visível.

Dessa forma, flamingo, salmão e camarão compartilham uma característica comum: seus tons rosados estão intrinsecamente ligados aos carotenoides, sendo a astaxantina um fator relevante em alguns desses casos. Portanto, a cor rosa do flamingo é o resultado de um processo que se inicia na alimentação.

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