A tradução para o persa do livro da jornalista americana Nellie Bly, 'Dez Dias no Asilo', foi lançada em livrarias por todo o Irã. A editora Qoqnoos Publishing House publicou o livro, com 136 páginas, e a tradução foi realizada por Elnaz Imani, informou a agência ILNA.
Inicialmente, o material foi publicado como uma série de artigos para o jornal New York World. Posteriormente, Bly reuniu esses artigos em um livro, que Norman Munro publicou em Nova York em 1887.
O livro baseia-se em reportagens escritas durante a missão secreta de Bly para o New York World. Ela fingiu ser louca em um sanatório feminino para que fosse injustamente internada em uma instituição psiquiátrica. Lá, ela começou a investigar casos de maus-tratos e negligência na Clínica Feminina na Ilha Blackwell (hoje conhecida como Ilha Roosevelt).
Após uma noite passando diante do espelho praticando expressões, ela se instalou no sanatório. Ela recusou-se a dormir, dizendo aos residentes que tinha medo deles e que eles pareciam 'loucos'. Logo eles decidiram que ela era 'louca' e chamaram a polícia na manhã seguinte. No tribunal, ela alegou sofrer de amnésia, o que levou o juiz a concluir que ela estava sendo drogada.
Vários médicos a examinaram, e todos a consideraram insana. Um deles declarou: 'Positivamente demência, eu considero este um caso sem esperança. Ela precisa ser colocada onde alguém possa cuidar dela.' O chefe da ala psiquiátrica do hospital Bellevue a rotulou como 'indiscutivelmente louca'. O caso desta 'jovem louca bonita' atraiu a atenção da imprensa: o jornal New York Sun perguntou: 'Quem é esta jovem louca?', e o New York Times escreveu sobre uma 'órfã misteriosa' com um 'olhar selvagem e atormentado' e seu grito desesperado: 'Eu não consigo lembrar, eu não consigo lembrar.'
Após ser internada na clínica, Bly parou de fingir doença mental e começou a agir normalmente. O pessoal do hospital parecia não saber que ela não era mais 'louca', e em vez disso, começou a interpretar suas ações normais como sintomas da doença. Até seus apelos para alta foram interpretados como sinais adicionais de transtorno mental.
Ao interagir com outros pacientes, Bly descobriu que alguns deles eram tão 'normais' quanto ela. Ela pessoalmente enfrentou condições terríveis. As enfermeiras eram rudes e agressivas, ordenando silêncio aos pacientes e espancando-os em caso de desobediência. A comida consistia em caldo de mingau, carne bovina estragada, pão que mal era mais do que massa seca e água suja e imprópria para beber. Pacientes perigosos eram amarrados com cordas. Os pacientes eram forçados a sentar em bancos duros durante a maior parte do dia, com pouca proteção contra o frio. Havia lixo por toda parte nas áreas de alimentação. Ratos infestavam o hospital.
Após dez dias, a publicação The World conseguiu a libertação de Bly da clínica. Seu relatório, publicado no The World e posteriormente lançado como livro, causou um furor e lhe rendeu grande fama.
A questão era como Bly conseguiu convencer os especialistas de sua insanidade inicialmente. Como ficou claro em seu relato pessoal 'Dez Dias no Asilo', Bly mencionou que o médico principal que a examinava estava mais focado na enfermeira atraente que a auxiliava no exame do que em Bly mesma. Embora os médicos e funcionários tenham tentado explicar como ela enganou tantos especialistas, seu relatório levou um grande júri a iniciar sua própria investigação com a participação de Bly. O relatório do júri resultou no aumento do orçamento do Departamento de Assistência Pública e Correção em 850.000 dólares. O grande júri também garantiu que futuros exames fossem mais rigorosos, e apenas os gravemente doentes eram internados na clínica.
O livro recebeu amplo reconhecimento. A combinação de suas reportagens e a publicação do material lhe trouxe fama, o que levou à investigação do grande júri e ao aumento financeiro do orçamento do Departamento de Assistência Pública e Correção.
