Exposição 'Alienígenas do baile' explora as transformações do patrimônio arquitetônico brasileiro moderno no Complexo Pampulha
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Exposição 'Alienígenas do baile' explora as transformações do patrimônio arquitetônico brasileiro moderno no Complexo Pampulha

O Complexo Moderno da Pampulha, Patrimônio Mundial da UNESCO, é o ponto de partida da exposição 'Alienígenas do baile'. Nesta mostra, o duo de artistas Lâmina investiga os processos de formação e alteração das imagens da arquitetura brasileira contemporânea.

A exposição acontece no Museu de Arte Universitária (MUnA) em Uberlândia. Ela reúne obras de Gabriela De Laurentiis e João Mascaro, que analisam o complexo através da lente de suas representações, materiais, técnicas e modos de vida, utilizando métodos como fotografia, vídeo, digitalização, serigrafia, inteligência artificial e impressão 3D.

Na exposição, são apresentados diversos elementos, incluindo azulejos europeus reinterpretados por Paulo Verneque; imagens de pássaros, peixes e cães criadas por Cândido Portinari; além de mosaicos, colunas e curvas registrados por meio de fotografias e scanners. No corpo d'água da Casa do Baile surgiram carpas, e na lagoa se estabeleceram lagartos, sendo que o mecanismo de sua aparição permanece incerto. Adicionalmente, observam-se cianobactérias, indicando um desequilíbrio ecológico.

Em 'Alienígenas do baile', Pampulha é apresentada como uma paisagem moldada por deslocamentos, apropriações e transformações que se sobrepõem ao projeto arquitetônico original de Oscar Niemeyer. Essas mudanças se manifestam nas obras por meio de processos de tradução entre diferentes materiais, técnicas e imagens visuais.

Na obra 'Digitile', os padrões de azulejo presentes nas construções de Pampulha e a releitura dos azulejos europeus da igreja colonial em Rio de Janeiro são fotografados, filmados, processados com inteligência artificial, modelados digitalmente e impressos em 3D. Em 'Diluições', scanners manuais percorrem metade dos mosaicos, azulejos e colunas da Casa do Baile, adicionando ruídos e distorções aos registros. Já em 'Aberturas', fotografias feitas por Lâmina desde 2015 no antigo Cassino e na Casa do Baile são ampliadas em tela — material geralmente usado em comunicação publicitária —, conectando-as à produção de imagens arquitetônicas, à formação da imaginação modernista e ao cenário turístico de Pampulha.

A instalação de vídeo inédita 'Alienígenas do baile', que dá nome à exposição, tem origem nas carpas que habitam o espelho d'água da Casa do Baile. Os artistas as filmam, e suas imagens são sucessivamente sobrepostas, apresentando-se tanto na ordem original quanto na inversa, o que gera distorções cromáticas e de movimento, conferindo ao cenário uma dimensão fantástica. Os peixes, que inicialmente não faziam parte do projeto paisagístico de Burle Marx, foram posteriormente introduzidos nesta área para combater mosquitos. Como espécie exótica no território brasileiro, a carpa torna-se um habitante estranho na paisagem modernista em constante transformação apresentada na obra.

A curadora Marina Frugoli, que acompanha o trabalho do duo há vários anos, aponta que lhe interessa a liberdade com que Gabriela De Laurentiis e João Mascaro transitam entre diferentes materialidades, suportes e escalas — desde a pequena fotografia instantânea até o outdoor, do objeto à paisagem sonora. Também a atrai a maneira como eles articulam uma leitura crítica e política da cultura contemporânea em experiências sensoriais, permitindo múltiplos níveis de interpretação e ficção.

De modo geral, 'Alienígenas do baile' desloca o foco para um dos complexos mais conhecidos da arquitetura moderna brasileira, aproximando o projeto arquitetônico de uma série de imagens, técnicas, formas de vida e transformações que continuam a compor a paisagem de Pampulha.

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