A Ministra Presidente dos Assuntos Femininos, da Juventude e das Pessoas com Deficiência, Sindisive Chikunga, enfatizou a necessidade de medidas urgentes para combater a crise de violência de gênero e feminicídio na África do Sul.
De acordo com o primeiro estudo nacional sobre a prevalência de violência de gênero e feminicídio, realizado pelo Conselho de Pesquisa em Ciências Humanas, pelo menos 7,3 milhões de mulheres na África do Sul, com 18 anos ou mais, sofreram violência física em suas vidas.
Esses dados foram apresentados por Chikunga na segunda-feira durante a primeira reunião do recém-criado Conselho Nacional de Violência de Gênero e Feminicídio em Pretoria.
Chikunga também informou que, dos 50.511 casos registrados pelo Serviço de Polícia da África do Sul no primeiro trimestre do ano fiscal de 2026/27, 30.736 casos resultaram em prisões ou encaminhamento ao Ministério Público Nacional (NPA).
Estes números sublinham a dimensão da crise enfrentada pelo conselho recém-ativado, criado para coordenar e reforçar a resposta do país ao problema da violência de gênero e feminicídio (GBVF).
Chikunga observou: «Isto não é apenas estatística. São mulheres sul-africanas, filhas, irmãs e meninas. Acima de tudo, são cidadãs sul-africanas cujos direitos constitucionais foram violados».
Da Obrigação à Ação
O conselho foi estabelecido de acordo com a Lei do Conselho Nacional de Violência de Gênero e Feminicídio nº 9 de 2024 e visa ser um mecanismo permanente e multissetorial para coordenar a resposta nacional à GBVF.
Suas responsabilidades incluem monitorar a implementação do Plano Estratégico Nacional de GBVF, aconselhar o governo sobre reformas políticas e legislativas, promover a colaboração entre setores, acompanhar o progresso no alcance de metas nacionais, bem como fortalecer medidas preventivas e intervenções focadas nas sobreviventes.
Chikunga afirmou que a criação do conselho marcou o início de um processo há muito esperado de transformação dos compromissos do país em relação à GBVF em ações coordenadas. Ela acrescentou: «Nossa primeira reunião de hoje é prescrita pela Lei do Conselho Nacional de Violência de Gênero e Feminicídio nº 9 de 2024. Ao realizarmos esta manhã, lançamos efetivamente o processo aguardado».
Os dados policiais mais recentes surgiram em meio a evidências da ampla disseminação da violência contra as mulheres na África do Sul. Chikunga citou o primeiro estudo Nacional sobre GBVF na África do Sul, realizado pelo Conselho de Pesquisa em Ciências Humanas, que mostrou que cerca de 7,3 milhões de mulheres com 18 anos ou mais sofreram violência física ao longo da vida.
O estudo também revelou que mais de 2,15 milhões de mulheres foram vítimas de violência sexual, enquanto aproximadamente 3,2 milhões relataram ter sofrido violência física por parte de parceiros de vida. Além disso, foi constatado que mulheres com deficiência enfrentam um risco particularmente elevado de violência sexual: a prevalência de violência sexual por parte de parceiro de vida foi de 14,6% em comparação com 7,2% entre mulheres sem deficiência.
O Papel do Conselho na Garantia da Segurança Comunitária
Uma das tarefas prioritárias do conselho será determinar os recursos necessários para resolver o problema da GBVF em nível nacional. Chikunga informou que o conselho desenvolverá um sistema abrangente de avaliação de custos para identificar lacunas de recursos e criar uma justificativa para investimentos nacionais.
Ela enfatizou: «Nenhum mandato terá sucesso sem recursos. Portanto, uma das obrigações e prioridades mais importantes do Conselho é determinar quanto custará realmente à África do Sul combater a violência de gênero e o feminicídio».
O conselho também prestará atenção à conclusão do acordo de acionistas, que Chikunga descreveu como um mecanismo de responsabilização para definir objetivos e medir a eficácia do conselho. Ela acredita que, em última análise, o conselho deve ser avaliado por sua capacidade de proteger as sobreviventes, aumentar a responsabilização e ajudar a tornar as comunidades mais seguras.
Chikunga concluiu: «O conselho pertence não apenas ao governo, mas à nação». Ela acrescentou que o sucesso do conselho dependerá da parceria contínua entre governo, sociedade civil, trabalho, negócios, comunidades religiosas, líderes tradicionais e cada residente da África do Sul que busca construir uma sociedade baseada na igualdade, dignidade e liberdade.
