A NASA decidiu abandonar os esforços para salvar o observatório Neil Gehrels Swift da reentrada atmosférica, mas optou por religar dois dos seus três telescópios para realizar observações finais. A tentativa de resgate foi interrompida devido a falhas apresentadas pela espaçonave LINK, fornecida pela Katalyst Space.
Lançado em 2004, o Swift dedicou mais de duas décadas a monitorar eventos cósmicos intensos, como explosões de raios gama, supernovas e erupções de raios X. O observatório continua ativo e funcionará até os momentos finais de sua missão.
Orbitando a Terra em baixa altitude sem um sistema de propulsão próprio, o Swift perde altitude gradualmente devido ao atrito atmosférico. Nos últimos anos, essa descida acelerou significativamente, impulsionada pelo aumento da atividade solar, que atingiu seu pico em 2024, ampliando o arrasto atmosférico além das expectativas da NASA.
Para tentar reverter esse processo, a agência contratou a Katalyst Space em setembro de 2025 para desenvolver uma nave capaz de alcançar o observatório e elevar sua órbita. Durante a preparação dessa operação, os três telescópios do Swift foram desligados, e a própria espaçonave alterou sua orientação para minimizar o arrasto e prolongar sua permanência em órbita.
Mais informações sobre o projeto
O plano progredia quando a Katalyst lançou a LINK em 3 de julho de 2026. Contudo, no final de julho, a empresa reportou problemas na espaçonave, especificamente nas rodas de reação e no sistema de propulsão a gás frio. Isso fez com que a LINK começasse a girar sem controle, comprometendo tanto o controle de altitude quanto as comunicações.
Devido à impossibilidade de solucionar esses problemas, a NASA comunicou no início de agosto que não daria continuidade à tentativa de elevar a órbita do Swift. Com o resgate descartado, a prioridade mudou para maximizar o tempo restante dedicado à pesquisa científica. Nesta semana, os telescópios de raios X e ultravioleta/óptico foram reativados, e espera-se que o Burst Alert Telescope volte a operar em breve.
Essa mudança operacional implica que o Swift precisará se afastar da posição que estava utilizando para reduzir o arrasto atmosférico, o que fará com que sua queda acelere. A projeção mais recente da NASA aponta que o observatório estará abaixo de 300 quilômetros de altitude nos próximos um ou dois meses.
A reentrada está prevista para ocorrer até o final de 2026. Embora a maior parte do observatório seja esperada ser destruída pelo calor atmosférico, alguns componentes podem sobreviver e cair no oceano. O risco para a população é classificado como baixo, visto que apenas uma pessoa foi oficialmente registrada como atingida por detritos espaciais até o momento.
Após 22 anos no espaço, o Swift não terá um resgate de última hora; sua despedida será marcada pela continuidade da observação do Universo enquanto for possível.
