Detalhes da viagem na Maria-Fumaça Trem Caiçara, que percorre 16 km entre Antonina e Morretes no Paraná
Leia mais
Viagem e Turismo
viagemeturismo.abril.com.br

Detalhes da viagem na Maria-Fumaça Trem Caiçara, que percorre 16 km entre Antonina e Morretes no Paraná

Viajar na Maria-Fumaça de 1884 no Paraná proporciona uma experiência nostálgica, com elementos como cabelos ao vento, quepe na cabeça, música de saxofone no vagão e faíscas da locomotiva próximas ao rosto, contrastando com a data atual de 2026.

A locomotiva, nomeada Trem Caiçara, possui mais de 140 anos e realiza um trajeto de 16 quilômetros entre Antonina e Morretes, na costa do Paraná, utilizando a antiga Estrada de Ferro Dona Isabel. Embora seja uma viagem relativamente curta, durando pouco mais de uma hora, ela oferece detalhes que remetem a épocas passadas.

Diferentemente do percurso que sai da capital, este trajeto não apresenta grandes cânions ou viadutos vertiginosos, mas os vagões mantêm a aparência dos antigos carros de passageiros, e o som dos trilhos acompanha toda a jornada.

História da Locomotiva

Antes da partida, o chefe de trem compartilha informações sobre a história ferroviária. A locomotiva utilizada é a Mogul nº 11, fabricada pela Baldwin Locomotive Works, nos Estados Unidos, e foi adquirida pelo Paraná para a construção da ferrovia Paranaguá-Curitiba. Ela começou a operar durante a fase final das obras da estrada de ferro, inaugurada em 1885, e permaneceu transportando passageiros e cargas até a década de 1950, quando parou de circular.

Após permanecer inativa por trinta anos, o processo de restauração da locomotiva foi iniciado em 2018, sob a condução da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF). Foi assim que, em 2020, o atual Trem Caiçara foi reativado para o trecho entre Antonina e Morretes.

Estrutura e Experiência do Passeio

Os carros destinados aos passageiros são simples, consistindo em dois vagões com assentos estofados e um terceiro com assentos de madeira. Não há distinção de categorias ou locais na reserva; os assentos são designados automaticamente conforme a ordem de compra. O vagão de madeira é usado somente quando os dois vagões estofados estão cheios. Ao chegar, os passageiros podem simplesmente sentar e aguardar a partida.

Durante o trajeto, a janela do narrador permaneceu aberta, permitindo a entrada ocasional de fumaça e faíscas. O passeio evoca uma sensação de nostalgia agradável, o sentimento de "saudades do que não vivi". Até mesmo o bilhete contribui para essa atmosfera, pois, apesar de ser comprado online, é entregue um passe físico que o chefe de trem carimba durante a viagem, transformando-o em uma lembrança.

Há também uma mala antiga disponível no vagão para fins fotográficos. O chefe de trem utiliza esse adereço para contar uma anedota sobre o valor que poderia conter, gerando risadas e fotos antes do início da viagem.

Ao soar o apito, a maria-fumaça inicia seu movimento lento. As casas de Antonina surgem gradualmente entre a vegetação. O ruído do trem atrai a atenção das pessoas na rua, e é notável observar alguns moradores parando suas atividades para acenar, embora para eles a cena possa ser rotineira.

Em certos pontos, há sinalizações solicitando que o maquinista use a buzina, e o apito clássico ressoa pela vizinhança enquanto a fumaça cobre a frente da locomotiva.

Progressivamente, Antonina fica para trás, e o cenário se transforma, apresentando bananeiras, pontes, rios e manguezais, além da Mata Atlântica. A fumaça da locomotiva, contudo, pode obscurecer as fotografias.

Em um trecho específico, foi possível avistar o Hangar em Morretes, onde um avião faz parte da decoração de um local destinado a happy hour, e um grupo animado filmava e acenava.

Informações sobre a Ferrovia e a Cidade

O trecho percorrido pelo Trem Caiçara integra a Estrada de Ferro Dona Isabel, inaugurada em 1892. Este ramal foi construído com o objetivo de ligar Antonina à rede ferroviária, em uma época em que a cidade possuía grande relevância econômica devido ao seu porto e às indústrias Matarazzo. Atualmente, Antonina possui um ritmo de vida mais tranquilo, mantendo um ar clássico de cidade pequena.

O trem avança em velocidade reduzida e, ocasionalmente, precisa parar ou diminuir o ritmo por razões operacionais. No caso do narrador, houve uma parada de cerca de vinte minutos enquanto aguardavam a passagem do trem Curitiba-Morretes.

A viagem ganha trilha sonora com as notas de saxofone. Com o tempo, os passageiros começam a cantar, e quando toca "Trem das Onze", de Adoniran Barbosa, a habilidade vocal deixa de ser relevante.

Enquanto a paisagem passa, os passageiros também aprendem sobre a região através de uma pasta contendo fotografias e recortes de jornais antigos que narram histórias de Antonina, Morretes e da própria ferrovia. Objetos como os pinos utilizados nos trilhos complementam as histórias contadas durante o percurso.

O passeio também oferece pequenos mimos, como a degustação de uma cachaça de banana, servida em pequena porção em copo de plástico, descrita como deliciosa.

No vagão do narrador havia apenas adultos, mas quando há crianças, são distribuídos trenzinhos de brinquedo para acompanhá-las.

Há também o momento do quepe, onde o chapéu vermelho com a inscrição "Chefe de Trem" circula entre os passageiros. Ao usá-lo, o narrador observou a paisagem calma, dominada pelo verde intenso da natureza, enquanto Morretes se aproximava.

Chegada e Logística

Ao chegar à Estação Ferroviária de Morretes, ocorre o desembarque, marcando o retorno ao ritmo da cidade. Contudo, é possível continuar explorando a história ferroviária sem sair da estação, pois ali funciona a Casa da Memória, que exibe documentos, fotografias e artefatos relacionados à história de Morretes e dos trilhos regionais.

Após a estação, é possível caminhar até o centro, onde se encontram restaurantes, casarões históricos e lojas, sendo uma ótima ocasião para provar o barreado, prato típico da área.

Para quem deseja retornar a Antonina, é possível comprar o transporte rodoviário junto com o ingresso do trem, com a saída geralmente ocorrendo logo após a chegada da maria-fumaça.

O Trem Caiçara opera aos sábados, domingos e feriados, com partidas em ambas as direções. De Antonina para Morretes, o embarque é às 14h; no sentido inverso, a partida é às 16h. Recomenda-se chegar à estação com cerca de 30 minutos de antecedência.

A Estação Ferroviária de Antonina está localizada na Rua Uruguai, e a estação de Morretes fica na Rua Padre Saviniano, 768. O trem acomoda 160 passageiros e a duração da viagem é de aproximadamente 1 hora e 15 minutos. Os ingressos custam R$ 150 (inteira) e R$ 135 (meia), sendo isentos crianças de até 5 anos. A inclusão do retorno rodoviário (ônibus ou van) adiciona R$ 23 ao custo, e os bilhetes podem ser adquiridos no site oficial.

Popular