O presidente Ramaphosa afirmou que a África do Sul agora deve se concentrar na redução do custo da eletricidade após alcançar um progresso significativo na resolução dos problemas de interrupção de energia (load shedding).
Em seu discurso semanal à nação, Ramaphosa enfatizou que o país não pode relaxar em relação à melhoria do desempenho da Eskom e deve concluir as reformas destinadas a criar um sistema de fornecimento de energia confiável, acessível e mais limpo. Ele observou que a tarefa do Estado não é apenas produzir energia suficiente, mas garantir sua confiabilidade, acessibilidade e sustentabilidade ambiental.
Reforma energética para aumentar a concorrência
O presidente apontou que o custo da eletricidade aumentou substancialmente nas últimas duas décadas, criando uma pressão adicional sobre os domicílios e dificultando os negócios e investimentos. Nesse sentido, o governo está promovendo uma transformação fundamental na estrutura do setor de energia.
Foi publicada uma nova Política de Precificação de Eletricidade, destinada a garantir a transparência das tarifas, prevenir a transferência de ineficiências aos consumidores, expandir o acesso para camadas de baixa renda e estimular a concorrência na geração de eletricidade. Além disso, o Regulador Nacional de Energia da África do Sul (NERSA) está finalizando o desenvolvimento de regras para um mercado atacadista de eletricidade competitivo.
Ramaphosa acredita que tal concorrência pode aumentar a eficiência, atrair investimentos e exercer pressão de queda sobre os preços. Os recursos naturais da África do Sul, como a energia solar e eólica, também abrem oportunidades para a produção de eletricidade mais barata e limpa, o que apoiará o crescimento industrial e a criação de empregos.
O operador de transmissão deve permanecer propriedade estatal
Um elemento chave da reforma é o estabelecimento de um Operador do Sistema de Transmissão (TSO) independente, que permanecerá sob propriedade estatal. Ramaphosa informou que o TSO gerenciará independentemente a rede elétrica nacional e o mercado de energia, garantindo condições iguais de competição entre a Eskom e outros geradores de eletricidade. O presidente enfatizou que o TSO atuará como árbitro entre todos os produtores.
Este operador também ajudará a mobilizar investimentos para a expansão da rede de transmissão e a conexão de novos projetos de geração à rede geral. Ramaphosa esclareceu que o Grupo de Trabalho de Reestruturação da Eskom, criado no início do ano, está encarregado de implementar essas transformações.
A Eskom permanecerá uma empresa estatal
Ramaphosa enfatizou particularmente que o objetivo das reformas não é a privatização da Eskom. Ele declarou que a Eskom manterá seu status de empresa estatal e deve entrar no mercado de energias renováveis para competir efetivamente com os novos geradores. A rede nacional de transmissão é um ativo estratégico nacional que também permanecerá em propriedade estatal e servirá ao interesse público.
O presidente observou que não é preciso escolher entre uma Eskom forte e outros concorrentes; é possível ter ambos. As reformas visam mudar o sistema da África do Sul de um modelo onde uma única empresa assume quase toda a responsabilidade pela geração de eletricidade para um modelo onde múltiplos produtores podem investir e competir.
Os trabalhadores não sofrerão perdas
Ramaphosa garantiu que os empregos não serão perdidos com a criação do TSO. O governo se compromete a consultar a força de trabalho organizada durante todo o processo de reestruturação. Anteriormente, Ramaphosa reuniu-se com o conselho de administração da Eskom e o Sindicato Nacional de Mineiros, insistindo que a Eskom e o TSO permaneceriam estruturas estatais e que os interesses dos trabalhadores seriam protegidos.
As reformas serão implementadas de forma cuidadosa e responsável, com interações futuras planejadas com todas as partes interessadas no ecossistema da Eskom.
O consumidor sul-africano deve ser o principal beneficiário
Na opinião de Ramaphosa, o objetivo das reformas é criar um sistema de fornecimento de energia que beneficie tanto os domicílios quanto os negócios, ao mesmo tempo em que sustenta o crescimento econômico. Ele enfatizou que o beneficiário final deve ser a base de consumidores da África do Sul. Os domicílios devem ter acesso a eletricidade mais acessível, e as empresas a um fornecimento confiável e com preços competitivos para investimento, expansão e criação de empregos.
O presidente observou que a África do Sul já demonstrou o potencial de reformas decisivas graças à melhoria nos indicadores da Eskom. Ele lembrou que antes muitos acreditavam que os apagões durariam indefinidamente, mas graças às ações resolutas, aos investimentos e ao trabalho de milhares de pessoas no setor de energia, a trajetória mudou. Agora é necessário concluir o trabalho iniciado para garantir que cada residente sul-africano tenha um fornecimento de eletricidade abundante, acessível e confiável.
