Escritório uzbeque ARC Architects une memória e matéria em seus projetos arquitetônicos
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Escritório uzbeque ARC Architects une memória e matéria em seus projetos arquitetônicos

Em meio à transformação urbana do Uzbequistão, o escritório ARC Architects desenvolve uma abordagem arquitetônica focada em estabelecer uma conexão entre o passado e o presente. Fundado em 2017 por Bobir Klichev, este estúdio nasceu da comunidade de arquitetura de Bucara e mantém forte ligação com as especificidades culturais e climáticas do país.

Com sedes em Tashkent e Bucara, o ARC mescla o minimalismo com referências étnicas para criar uma linguagem contemporânea que está firmemente ancorada em seu ambiente. Em vez de simplesmente replicar o estilo arquitetônico uzbeque tradicional, o estúdio se dedica a entender como esse legado pode ser recontextualizado atualmente, um processo que inevitavelmente dialoga com as múltiplas camadas históricas presentes na nação.

Por séculos, cidades como Samarcanda e Bucara funcionaram como importantes polos comerciais e culturais na Ásia Central. A arquitetura dessas localidades evoluiu em torno de vielas estreitas e pátios internos, formando estruturas urbanas onde construções e espaços comunitários são inseparáveis.

No século XX, essa continuidade sofreu alterações significativas devido ao domínio soviético. O planejamento centralizado, a padronização construtiva e a industrialização modificaram profundamente as cidades, especialmente Tashkent, que foi extensivamente reconstruída após o terremoto de 1966. Consequentemente, o país passou a apresentar diversos modelos arquitetônicos, impedindo a consolidação de uma única linguagem moderna.

É neste cenário que o ARC Architects estabelece sua prática profissional. Em um mercado em ascensão, impulsionado pela construção civil, pelo setor de turismo e pela atração de investimentos estrangeiros, o escritório visa consolidar uma arquitetura contemporânea que não se baseie na cópia de modelos externos nem na reconstrução literal do passado.

O ARC atua em diversas escalas de projeto, abrangendo desde residências e interiores até hotéis, edifícios comerciais e grandes empreendimentos urbanos, acompanhando os projetos desde a fase de concepção até a execução. Contudo, independentemente da dimensão, a prioridade central é sempre a valorização da produção local. Materiais, técnicas e mão de obra da região são integrados não só por razões de identidade, mas também por seu potencial de reforçar a economia e o conhecimento locais.

Um exemplo disso é a Country House KK-1234, situada na área montanhosa de Tashkent, onde a pedra local e o trabalho dos pedreiros regionais se harmonizam com a topografia e as características naturais do terreno.

Em Bucara, a interação entre arquitetura e contexto adquire outra camada de significado. No Hotel Mercure Bukhara Old Town, elementos característicos da arquitetura local, tais como pátios, ayvans e materiais tradicionais, são reinterpretados para satisfazer as necessidades de um edifício moderno. Assim, as referências históricas deixam de ser meros adornos e passam a moldar a organização espacial, o conforto térmico e a relação do prédio com a cidade.

À medida que o Uzbequistão vivencia um período de rápido crescimento e maior abertura, a arquitetura é crescentemente chamada a responder a essas mudanças. Isso suscita uma questão mais ampla: como a arquitetura pode acompanhar a transformação de um país sem negligenciar aquilo que o torna único? Nesse sentido, escritórios modernos como o ARC assumem um papel crucial. Seu trabalho demonstra que o desenvolvimento de uma arquitetura contemporânea no Uzbequistão não exige uma escolha binária entre o que já existe e o que está por vir, mas sim a descoberta de novas maneiras de interpretar e construir a nação a partir dessas duas dimensões.

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