Os Estados Unidos planeiam aplicar sanções a mais um banco com o intuito de bloquear transações comerciais com o regime do Irã. Essas declarações foram feitas antes do encontro do Grupo do G20 em Asheville, Carolina do Norte, evento no qual Scott Bessent se reunirá individualmente com líderes de grandes economias globais e países em desenvolvimento para fomentar o isolamento econômico do Irã.
Bessent declarou em entrevista à AP que, se necessário, isso representaria «violência financeira», enfatizando que «estamos a mostrar às pessoas que sabemos quem são, elas sabem quem são, e isto tem de parar», embora não tenha revelado qual instituição bancária seria alvo.
Na semana anterior, Scott Bessent detalhou a «Operação Pária Económico» direcionada contra o Irã, visando impor restrições a todos aqueles que negociam com o regime de Teerão, cuja economia já está sob severas medidas sancionatórias. Nesse mesmo dia, Bessent pressionou as nações que mantêm relações comerciais com o Irã a romperem seus laços financeiros ou a enfrentarem represálias americanas.
Donald Trump apelidou essa nova iniciativa econômica contra o Irã de «Dia D económico». A primeira ação oficial do Tesouro nesse esforço foi uma proposta de regulamentação divulgada na sexta-feira, que, caso seja aprovada, impediria que as agências bancárias nos Emirados Árabes Unidos do banco Misr, o segundo maior banco do Egito, tivessem acesso ao sistema financeiro norte-americano.
No sábado, o Banco Central dos Emirados Árabes Unidos iniciou uma fiscalização nas filiais do banco público egípcio Misr no país. A questão central reside na alegação dos EUA de que a filial do Misr nos Emirados Árabes Unidos funciona como um ponto financeiro crucial para o governo iraniano, visto que, segundo Washington, entre janeiro de 2024 e junho de 2026, ela processou cerca de 1,8 bilhão de dólares (aproximadamente 1,5 bilhão de euros na cotação atual) para 103 empresas que podem pertencer a redes bancárias paralelas iranianas.
Na prática, essa determinação deve proibir a filial do Misr de utilizar o dólar em suas operações diárias. O Banco Central do Egito reagiu prontamente, assegurando que estava «em contato com os norte-americanos sobre essas medidas».
O confronto entre os Estados Unidos e o Irã completou seis meses sem que Washington conseguisse desmantelar o programa nuclear iraniano ou forçar uma mudança de regime em Teerão. Este conflito resultou, entre outros impactos, em uma crise energética global, consequências globais no custo de vida, um Oriente Médio ainda mais instável e um dilema político com relevância eleitoral para o Presidente Donald Trump, que concorre pelo controle do Congresso norte-americano nas eleições antecipadas de novembro.
A «Operação Fúria Épica» teve início em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva aérea de grande escala contra instalações militares, nucleares e líderes iranianos, resultando em mortes, incluindo a do líder supremo, Ali Khamenei. Em resposta à ofensiva israelense e americana, o regime de Teerão retaliou com ataques na região e o bloqueio do Estreito de Ormuz.

