Canal do Panamá flexibiliza sistema de reservas para navios neopanamax devido a restrições hídricas
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Canal do Panamá flexibiliza sistema de reservas para navios neopanamax devido a restrições hídricas

Em virtude das restrições impostas pela seca, o Canal do Panamá está a ajustar o seu sistema de reservas. Estas mudanças ocorrem num contexto de crescente importância desta rota marítima para o transporte de produtos energéticos, impulsionada pela crise no Médio Oriente.

O Canal do Panamá, que representa entre 3% e 5% do comércio global e constitui a única via navegável de água doce, opera com um sistema de reservas para o trânsito e um sistema de leilões para embarcações sem passagem pré-agendada.

A administração do Canal aconselha os clientes a planear as suas travessias através do Sistema de Reservas enquanto persistir o défice hídrico na bacia hidrográfica, pois apenas uma reserva confirmada assegura uma data específica de passagem.

Na manhã em questão, registaram-se 118 navios aguardando a travessia: 107 com reserva e 11 sem reserva. Deste total, 30 eram navios do tipo 'neopanamax', que utilizam a expansão do Canal e são responsáveis por mais de metade das receitas da ligação entre o Atlântico e o Pacífico.

As modificações aplicam-se especificamente ao sistema de reservas destinado a estes navios 'neopanamax'. A flexibilização destas reservas entrará em vigor antes da redução programada do número de passagens diárias, que passará de uma média de 36 para 34 a partir de 03 de setembro, e depois para 32 a partir de 15 de setembro. Tais cortes fazem parte das medidas de conservação de água adotadas em resposta à severa seca causada pelo fenómeno El Niño.

Entre as medidas implementadas encontra-se a diminuição progressiva do calado dos navios. Algumas empresas de navegação preveem um aumento na fila de embarcações, visto que terão de transportar menos carga devido à redução do calado. Adicionalmente, o Canal alertou que os navios que não possuam reserva podem enfrentar atrasos, dependendo da capacidade disponível e da procura.

A incerteza gerada pelo cenário geopolítico no Médio Oriente provocou um aumento nos picos de tráfego na região desde o segundo trimestre deste ano. Este aumento fez disparar o valor dos leilões para mais de um milhão de dólares (equivalente a 863.000 euros) por uma vaga, contrastando com a média observada entre outubro e fevereiro anteriores, que era de 55.000 dólares (47.500 euros).

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