Os preços do ouro nos Emirados Árabes Unidos têm caído durante a última semana. Em Dubai, o ouro puro de 22 quilates caiu abaixo da marca de 500 dirhams por grama, e no fim de semana, o metal precioso foi negociado abaixo de US$ 4.500 por onça.
Isso foi uma notícia favorável para os compradores de joias nos EAU em antecipação aos grandes festivais indianos Diwali e Navratri. No domingo, os preços do ouro de 24 e 22 quilates foram de 536,75 e 497 dirhams por grama, respectivamente, o que está abaixo dos valores máximos atingidos em 25 de agosto. Entre outras opções, o ouro de 21, 18 e 14 quilates caiu para 476,75, 408,5 e 318,75 dirhams por grama.
A cotação spot do ouro estava em US$ 4.455,43 por onça, refletindo uma queda de 0,49%. Surge a questão se os preços do ouro em Dubai e em escala mundial perderão ainda mais valor na próxima semana.
Rania Ghule, analista sênior de mercado da Mena na xs.com, acredita que a atual queda abaixo do nível de US$ 4.600 não é um sinal de mudança na tendência geral neste momento, mas sim uma medida corretiva natural causada pela realização de lucros após uma forte alta. Ela observou que a questão chave para traders e investidores não é o recuo do ouro em si, mas se isso marcará o início de uma reversão de baixa mais profunda ou apenas uma pausa temporária antes de retomar o crescimento.
Do ponto de vista fundamental, as condições permanecem favoráveis ao ouro, mas o mercado tornou-se mais sensível às expectativas sobre a política monetária dos EUA. Ghule acrescentou que a inflação elevada combinada com a incerteza contínua sobre o crescimento econômico, as condições fiscais e os mercados de títulos complica as tarefas do Federal Reserve dos EUA.
Dados recentes de inflação demonstraram pressão de preços persistente, à medida que o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) subiu para níveis que exigem cautela por parte do Fed. A analista enfatizou que os mercados exigem maior clareza sobre o futuro da política monetária, especialmente se o Federal Reserve pretende manter taxas de juros elevadas por mais tempo para combater a inflação, ou se o enfraquecimento da atividade econômica pode levar os formuladores de políticas a uma postura mais suave.
Ghule acredita que qualquer sinal mais rígido do que o esperado pode apoiar temporariamente o dólar e o rendimento dos títulos do Tesouro, aumentando assim a pressão sobre o ouro. Por outro lado, a ausência de sinais rígidos ou o surgimento de um tom mais suave pode rapidamente reavivar a demanda por metais preciosos. Também é importante notar que o ouro não é mais determinado exclusivamente por sua ligação tradicional com o dólar americano ou pelas taxas de juros reais. A incerteza geopolítica e econômica global, juntamente com as preocupações sobre o nível da dívida pública e o déficit orçamentário dos EUA, influenciam cada vez mais as decisões dos investidores. Consequentemente, mesmo que o dólar receba suporte temporário devido a comentários rigorosos do Federal Reserve, a compra de ouro pode permanecer resiliente, pois os investidores continuam a usar este metal como proteção e ativo de refúgio diante de riscos crescentes.
