A Food and Drug Administration (FDA), a agência reguladora dos Estados Unidos, concedeu aprovação nesta quarta-feira, dia 26, a um medicamento inovador destinado ao tratamento do câncer de pâncreas, uma condição classificada como uma das mais letais e difíceis de tratar entre todos os tipos de neoplasias.
Este novo tratamento possui a capacidade de frear a evolução da doença e duplicar a expectativa de vida dos pacientes. O fármaco em questão é um comprimido denominado daraxonrasib, comercializado sob o nome Rasonque, e deve ser tomado diariamente. A Revolution Medicines, a companhia responsável pela fabricação, informou que o custo deste tratamento mensal será de cerca de US$ 39.800.
A chancela da FDA ocorreu em menos de três meses após a divulgação dos dados de eficácia do medicamento no periódico The New England Journal of Medicine. O estudo incluiu 500 indivíduos diagnosticados com adenocarcinoma ductal pancreático, que representa o tipo mais comum de câncer de pâncreas, sendo responsável por mais de 90% dos casos.
Os resultados demonstraram que os pacientes que receberam daraxonrasib alcançaram uma sobrevida média de 13,2 meses, quase o dobro daqueles que foram submetidos apenas à quimioterapia. Além disso, observou-se uma melhoria na qualidade de vida e uma diminuição na percepção de dor.
Quando esses achados foram apresentados durante um encontro da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco), diante de milhares de profissionais de saúde, a notícia foi recebida com aplausos de pé, e alguns oncologistas manifestaram emoção ao ponto de chorar.
O câncer de pâncreas é considerado extremamente fatal por duas razões principais. Primeiramente, ele tende a ser assintomático; quando os sintomas surgem, como icterícia (coloração amarelada da pele) ou dor abdominal, a doença frequentemente já se disseminou para outros órgãos.
Em segundo lugar, mais de 90% dos diagnósticos desse câncer estão associados a uma alteração genética no gene KRAS, que codifica uma proteína com o mesmo nome. Em condições normais, as proteínas KRAS estimulam a divisão celular. Contudo, uma mutação neste gene pode desencadear um cenário grave: a proliferação descontrolada de células e, consequentemente, a formação de tumores.
Por várias décadas, essa proteína mutada foi vista como inatingível pela indústria farmacêutica. Isso ocorria porque sua superfície era muito lisa, não possuindo uma reentrância adequada para que uma molécula pudesse se encaixar e inibir sua função. Até então, todas as abordagens para criar um inibidor direto falhavam.
O diferencial do daraxonrasib reside justamente nisso. Em vez de buscar uma ligação direta com a KRAS, ele interage primeiramente com uma molécula chamada cyclophilin A, que está envolvida no processo de síntese proteica. É a interação combinada do medicamento com essa molécula que consegue anular a atividade da KRAS.
Embora o medicamento tenha apresentado efeitos adversos, tais como erupções cutâneas, diarreia e vômitos, estes foram relatados como menos frequentes e mais leves em comparação com os efeitos colaterais observados na quimioterapia.
