Em São Paulo inaugura-se exposição imersiva sobre a obra de Tarsila do Amaral no Conjunto Nacional
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Em São Paulo inaugura-se exposição imersiva sobre a obra de Tarsila do Amaral no Conjunto Nacional

O primeiro pavimento do Conjunto Nacional, localizado na Avenida Paulista, foi renovado com a abertura do Nubank Arte Lab. Este novo espaço expositivo abrange 2700 m² e conta com cinco salas multifuncionais, além da operação gastronômica Nuv Gastro Bar. O projeto arquitetônico foi desenvolvido pelo escritório Jacobsen Arquitetura.

Para celebrar a estreia deste complexo cultural, está em exibição a mostra intitulada O Brasil de Tarsila, que apresenta mais de 70 obras em ambientes interativos. A realização desta exposição é fruto de uma colaboração entre a Tarsila do Amaral S.A., responsável pela preservação do legado da artista, e a agência de eventos LIVEIDEA.

A curadoria da mostra ficou a cargo de Juliana Miraldi e Paola do Amaral Montenegro, que é sobrinha-bisneta de Tarsila. É importante notar que a exposição não exibe obras originais, mas sim réplicas e versões digitais das pinturas.

A mostra ocupa três das cinco salas modulares do complexo. Estes espaços foram transformados em 14 cenários interativos, cada um dedicado a um período da vida e da produção da modernista. Os ambientes são equipados com controle de temperatura e iluminação, além de dispositivos que dispersam aromas.

Oficialmente, O Brasil de Tarsila estará disponível até 31 de outubro, embora haja indícios de que o período possa ser estendido até o final do ano. Posteriormente, a exposição seguirá para o Rio de Janeiro, ainda sem um local definido. Em setembro, as salas remanescentes serão utilizadas pela mostra Fronteiras do Imaginário, do artista digital francês Maotik.

A visita guiada detalha a experiência imersiva. A autora relata que Tarsila do Amaral sempre a encantou, especialmente pelas cores e formas singulares de suas pinturas.

As duas primeiras salas do espaço no Conjunto Nacional funcionam como galerias, exibindo réplicas das obras da artista em molduras, além de textos informativos sobre a trajetória de Tarsila. Embora este início pareça convencional, compreender a jornada da artista é crucial para o que se segue, pois a mostra adota um formato de “fluxo único”, impedindo o retorno a ambientes anteriores.

O primeiro momento de grande impacto ocorre na sala de espelhos, que possui um painel de LED de 84 m². As paredes refletem obras da fase Pau Brasil (1924 – 1928), misturando figuras de Religião Brasileira (1927) com flores de Manacá (1927) em padrões infinitos. A sala provoca uma longa permanência dos visitantes.

Em seguida, a visitante acessa a Floresta Tarsiliana, um cenário que une elementos da fase Antropofágica (1928 – 1930). As árvores de Floresta (1922) integram-se à vegetação de Cartão-Postal (1929) e Idílio (1929). Um sistema de áudio reproduz sons de sapos e pássaros tropicais, enquanto borrifadores liberam aroma de jasmim. Há também uma piscina de bolinhas verdes, que agradou tanto os adultos quanto as crianças presentes.

Ao passar por uma cortina, surge um vagão de trem, onde cada janela representa um destino marcante na vida de Tarsila. Artefatos dispostos em mesas complementam um sistema sonoro que narra as viagens da artista a locais como Minas Gerais, Paris e a União Soviética.

Em um espaço com assentos, projetores exibem uma animação com figuras icônicas da modernista, mostrando o Sapo (1928) viajando por uma paisagem tropical até encontrar a Cuca (1924) e Abaporu (1928). O gigante de pés grandes e cabeça pequena prossegue para uma floresta, onde se junta à figura de seio na mostra de Antropofagia (1929).

As cores vivas dão lugar aos tons acinzentados da fase Social, na sala dedicada a Operários (1933). Após seu retorno da União Soviética em 1931, as obras passaram a retratar a vida popular brasileira. Nesta sala, era necessário girar uma manivela para que os trabalhadores aparecessem em uma tela curva, e a visitante também utilizou uma máquina antiga para inserir sua imagem digitalmente na obra.

Um corredor com a personagem Composição (Figura Só) (1930), agitado por uma ventania gerada por ventiladores, conduz ao salão de Abaporu (1928), um ponto onde a visitante tirou muitas fotografias. A intensidade dos flashes foi substituída pela calma da noite, quando ela se imergiu na obra A Lua (1928), apreciando o astro projetado na parede em bancos moldados em pedra.

O ambiente subsequente assemelha-se a um parquinho, contendo quebra-cabeças gigantes, um escorregador e uma gangorra, sendo muito apreciado pelas crianças. A obra A Terra (1943) ocupa o espaço seguinte, utilizando ventiladores para criar ventos fortes e proporcionar um momento de descanso.

O encerramento da exposição é um salão que sintetiza todas as fases de Tarsila através de uma animação projetada nas paredes, culminando com A Fazenda com Sete Porquinhos (1943) ao fundo e o Sol Poente (1929) finalizando a experiência.

A exposição está localizada no Conjunto Nacional, na Av. Paulista, 2.073, 1º andar, Consolação. O horário de funcionamento é de quarta a segunda, das 10h às 22h, com ingressos disponíveis a partir de R$ 47,50 pela plataforma Fever, e a mostra permanece em cartaz até 31 de outubro.

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