Discussão de vizinhos em Chatswood: reclamações sobre limpeza da área e burocracia
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Discussão de vizinhos em Chatswood: reclamações sobre limpeza da área e burocracia

Ao visitar a casa do Tio Marnie, o narrador percebeu que ele era um resmungão crônico. Antes mesmo de cumprimentar, o Tio Marnie proferiu em barítono, como no palco, sua queixa: «Pazer varre a calçada e deixa sua sujeira perto do meu poste de luz todas as manhãs.»

Do canto do olho, o narrador notou um homem grisalho na varanda vizinha, que soprava calmamente espuma de uma caneca, sentado em uma velha cadeira de vime. O Tio Marnie o convidou para entrar, dizendo: «Entre, sente-se.»

Em uma mesinha de chá, decorada com pratos decorativos e flocos de neve com inscrições de Melbourne, Cidade do Cabo, Londres e Maurício, havia uma bandeja de chá sobrecarregada com pastas de documentos. O Tio Marnie informou que há quatro anos ele escreve ao departamento correspondente, à corporação e ao conselheiro.

Neste momento, uma mulher gentil entrou no corredor, que o narrador assumiu ser a Sra. Marnie. Ela perguntou: «Bom dia, senhor. Posso oferecer café, chá ou cacau?»

O Tio Marnie folheava furiosamente sacos plásticos cheios de formulários vermelhos gritantes. Ele declarou: «Olha, eu até escrevi para o presidente.»

O narrador ouvia em silêncio enquanto o Tio Marnie desabafava suas emoções, acenando, mas sem necessariamente concordar. A chaleira provavelmente ferveu no momento em que o carro do narrador chegou à periferia de sua aconchegante casa em Chatswood. O chá foi servido mais rápido do que a doce bebida láctea servida pelos garçons no Café Rank, em frente ao Mercado Warwick Avenue, antigamente. Em vez de um prato de dal e manteiga ou bhaji, a Sra. Marnie serviu um prato de bolo de frutas levemente untado.

O Tio Marnie murmurou, e o narrador continuou ouvindo. Sua próxima tirada foi: «E este conselheiro inútil diz que é um assunto familiar.»

A Sra. Marnie gentilmente serviu primeiro o chá ao convidado e depois ao marido. Um brilho passou em seus olhos, refletido nos olhos do marido. Ele pareceu suavizar, tomando um gole, embora o alívio tenha sido passageiro. Ele continuou listando as pessoas às quais escrevia, mencionando também a Society of Divine Life. Parecia que apenas o SPCA não recebia cartas sobre Pazer.

Ele acrescentou: «Seu departamento foi de primeira classe, com cento e uma referências, mas nenhuma ação, nada, zero.»

O narrador não precisou de persuasão para comer o bolo no elegante prato de porcelana. Depois de se refrescar, decidiu intervir. Ele pediu ao tio: «Tio, eu trabalho no governo há no máximo cinco anos, e, além disso, a tarefa do Departamento de Habitação é construir casas, não interferir nos assuntos dos vizinhos.»

A isso, o Tio Marnie respondeu sarcasticamente: «Vocês fazem um bom trabalho aí. Cada canto está cheio de desordem. Do lado oposto, as pessoas colocam casas para inquilinos. Onde estão os estatutos? Não sei quando vi um funcionário da corporação varrendo nossa rua pela última vez.»

Neste momento, o narrador notou seu inglês polido mudar para o estilo conversacional característico dos indianos de Durban. A Sra. Marnie começou a reabastecer o prato do narrador e agradeceu-lhe pelo tabuleiro de coexisters malaios Issi, que ele aparentemente traz para todos que visita. O Tio Marnie terminou a frase, como se o narrador fosse seu último recurso: «Você pode falar com esse rapaz para recolher a sujeira dele e colocá-la em sua própria lixeira...?»

Ambos assentiram. O narrador estava grato pelo chá e pelo bolo, mas essa questão parecia mais complicada do que a mediação na Guerra do Irã. Ele sugeriu: «É melhor eu ligar para Patrick. Em Phoenix, ele tem reputação de pessoa que obtém resultados. Eu vi que ele colava cartazes na rodovia.»

O narrador teve que desistir da ideia de chamar seu bom amigo Patrick. Ele ousou perguntar: «Existe alguma chance de todos nós sentarmos e conversarmos?» Foi-lhe respondido que Pazer era como uma parede de tijolos.

O Tio Marnie protestou com falsa inocência: «Você pode tentar, mas eu não gosto de discutir com vizinhos.»

O rádio emitiu um sinal, e o locutor anunciou que eram 10 horas. O Tio Marnie esticou-se em direção ao relógio, como se fosse ajustá-lo de maneira antiga, mas logo corrigiu, puxando a manga do suéter no pulso. A conversa cessou quando o volume das notícias foi aumentado. A aparição de Kat Madlala na Comissão Madlanga estava iminente. Era garantido um rating mais alto do que o de «Dallas» ou «Anupama». A previsão do tempo aconselhava as pessoas a não ir ver a neve. O narrador se conteve, sendo uma pessoa propensa a transgressões.

Após esgotar as cartas de reclamação, o Tio Marnie começou a exibir seus certificados, um dos quais era pelo quarto lugar em uma corrida com bola médica na Escola de Greyville durante o termo de Michael. Também possuía um certificado de bom pagamento da Model Furnishers de 1971.

Quando o bolo de frutas acabou, o narrador não tinha mais um forte incentivo para ficar, exceto a menção de uma inspeção não programada e uma conversa silenciosa com o vizinho. Na beira da estrada, lá fora, o Sr. Pazer regava com um regador água coletada de um cano rompido nas proximidades. Perto do poste de luz havia um buraco que ele estava metodicamente preenchendo com folhas secas. Com a aproximação da primavera, belas gerânios e margaridas começaram a brotar. O terreno em frente ao portão dele estava varrido, como nos jardins de pedras japoneses Zen.

O Tio Marnie deveria escrever uma carta de felicitações a ele pela melhoria do bairro. Kiru Naidu escreveu este material do lounge do Aeroporto Internacional King Shaka, refletindo sobre a próxima viagem para o Cabo.

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