Cientista de Chatsworth inspira a próxima geração de mulheres na ciência
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Cientista de Chatsworth inspira a próxima geração de mulheres na ciência

As pesquisas da Professora Trisia Naiker ajudam a encontrar novas maneiras de manter a eficácia de antibióticos vitais, ao mesmo tempo que motivam jovens mulheres a acreditar em seu lugar na ciência.

A Professora Trisia Naiker recebeu o prêmio de 'Jovem Pesquisadora Excepcional em Ciências Naturais e de Engenharia' na 23ª cerimônia do South African Women in Science Awards (Prêmios de Mulheres da África do Sul em Ciência). A cerimônia ocorreu em 20 de agosto no NH Hotel Sandton, em Joanesburgo.

A jornada de Naiker, de uma aluna curiosa de Chatsworth a laureada do prêmio, foi reconhecida em nível nacional. Seu trabalho científico contribui para resolver um dos crescentes problemas mundiais: a resistência aos antibióticos.

Aos 41 anos, a diretora do Departamento de Catálise e Pesquisa Peptídica na Universidade KwaZulu-Natal (UKZN) foi agraciada com o título de Jovem Pesquisadora Excepcional em Ciências Naturais e de Engenharia na 23ª cerimônia do SAWiSA. Os prêmios, concedidos pelo Departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação sob o lema 'Colocando as Mulheres no Centro da Ciência, Tecnologia e Inovação', são atribuídos a mulheres cujo trabalho contribui para o desenvolvimento do conhecimento e para o progresso científico e tecnológico da África do Sul.

Para Naiker, que ainda reside em Chatsworth, este reconhecimento tem um significado especial, pois sua jornada começou em uma sala de aula escolar comum. O interesse pela ciência surgiu após os primeiros experimentos de química. Ela recorda: 'Havia algo muito empolgante em pegar algo que se pode ver e entender no livro didático e realmente concretizá-lo diante de si'.

Seu professor de física incentivou essa curiosidade, ajudando-a a perceber que a ciência não se trata apenas de memorizar fatos, mas de fazer perguntas e descobrir os princípios de funcionamento das coisas. Os pais também desempenharam um papel importante, apoiando Naiker e seus irmãos na obtenção de ensino superior e incutindo neles a convicção no valor do investimento em educação.

No entanto, seu próprio caminho nem sempre foi padrão. Naiker observou que suas dificuldades estavam menos relacionadas ao fato de a ciência ser um campo dominado por homens, e mais à escolha de uma carreira que exige muitos anos de estudo e dedicação. Ela falou sobre dúvidas sobre se o longo caminho do esforço valeria a pena, enfatizando a necessidade de permanecer focada em suas convicções e confiar que o caminho escolhido acabará fazendo sentido.

Hoje, este trabalho tem implicações potencialmente profundas. Naiker lidera pesquisas interdisciplinares que combinam química sintética, microbiologia e bioquímica, com o objetivo de desenvolver compostos que possam restaurar a eficácia de antibióticos existentes. Parte desse trabalho atingiu a primeira fase de ensaios clínicos, marcando uma transição importante das investigações laboratoriais para o teste de tratamentos potenciais em humanos.

Em termos simples, Naiker descreve suas pesquisas como o desenvolvimento de um 'escudo' contra a proteção bacteriana, capaz de desativar antibióticos. Ela explicou: 'Se algumas bactérias desenvolveram um mecanismo de defesa que desativa nossos antibióticos, nós desenvolvemos um 'escudo' que pode bloquear essa defesa, permitindo que o antibiótico faça seu trabalho novamente'.

Ela enfatizou que ainda há um longo caminho a percorrer, pois a primeira fase foca principalmente na segurança e em como o potencial medicamento se comporta no corpo humano. A pesquisa visa combater a resistência antimicrobiana — um problema que pode transformar infecções antes consideradas facilmente tratáveis em condições graves ou até mesmo fatais.

Naiker afirmou que o que a motiva é a possibilidade de que o trabalho realizado hoje em laboratório possa ajudar a preservar antibióticos vitais para as gerações futuras. Como graduada da UKZN, ela obteve mestrado com honras em 2008 e doutorado em 2011. Ela iniciou sua carreira acadêmica em 2013, após pesquisas pós-doutorais na Dinamarca, e desde então se tornou uma das principais pesquisadoras da universidade.

Como pesquisadora com classificação NRF C1, ela escreveu mais de 130 publicações revisadas por pares, uma patente e três capítulos de livros. Entre seus prêmios anteriores estão o Prêmio NRF de Excelência em Pesquisa para Jovens e Novos Pesquisadores em 2018, o Prêmio do Vice-Reitor da UKZN em 2019 e a Medalha Rix em 2020.

No entanto, ela considera a mentoria uma das partes mais importantes de seu trabalho. Ela disse sentir a responsabilidade de fazer o mesmo pela próxima geração, citando os mentores que ajudaram a moldar sua carreira. Sua mensagem às jovens que podem pensar que a ciência não é para elas é simples: 'A ciência é absolutamente para vocês'. Ela acrescentou: 'Vocês só precisam de curiosidade, determinação e vontade de aprender'.

Para Naiker, o maior valor de seu último prêmio não está no troféu ou no título, mas no que ele representa para a próxima geração. Ela espera que as jovens que crescem em comunidades como Durban vejam que uma simples curiosidade em uma sala de aula escolar pode se tornar uma carreira que muda vidas, e entendam que a ciência é um lugar onde elas também pertencem.

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