Em 26 de agosto, foi realizado em Tashkent o Seminário Internacional sobre Ecoturismo e Turismo Sustentável. O Uzbequistão recebeu este evento internacional pela primeira vez, reunindo especialistas, representantes da indústria turística e operadores turísticos estrangeiros. O objetivo principal era demonstrar ao mundo não apenas os locais históricos do país, mas também sua diversidade natural, tradições culinárias e vida em várias regiões.
Delegacões de mais de vinte países participaram do seminário. Para o Uzbequistão, isso representou uma oportunidade não só de apresentar suas possibilidades turísticas, mas também de realizar discussões diretas com empresas estrangeiras sobre o desenvolvimento de novas rotas e projetos conjuntos.
Sanjarbek Tadjiev, vice-presidente do Comitê de Turismo, informou que o país está trabalhando ativamente para expandir sua oferta turística. Além dos centros conhecidos, como Samarcanda, Bukhara e Khiva, há um crescente foco nas áreas montanhosas, lagos, desertos e outras zonas naturais. Simultaneamente, a infraestrutura está sendo desenvolvida e medidas de apoio ao negócio turístico estão sendo implementadas.
O tema central do seminário foi o ecoturismo. Abrokhon Kadyrov, representante do Comitê Nacional de Ecologia, apresentou o conceito de 'Da Rota da Seda à Nova Rota da Seda Verde'. Atualmente, as áreas naturais especialmente protegidas cobrem 15,7% do território do Uzbequistão, e planeja-se a criação de mais três parques naturais nacionais até 2026.
O país possui todas as condições para desenvolver um novo tipo de turismo, incluindo as montanhas Tian Shan, Kyzylkum, o planalto Ustyurt, o Mar de Aral, Aidarkul, territórios de tugai e outras zonas naturais. Destinos específicos já são oferecidos a convidados estrangeiros: observação de aves na região de Aidar-Arnasay, viagens etnográficas e naturais em Nuratau, expedições a Ustyurt, safáris em Kyzylkum e trekking em Ugam-Chatkal.
Espécies animais raras podem ser de grande interesse para os turistas, como o leopardo das neves, o cervo de Bukhara, o saiga, o arhar de Severts e diversas aves de rapina. O princípio chave da nova abordagem é que o turismo deve contribuir para a conservação da natureza e garantir renda aos moradores locais. Os residentes das regiões podem atuar como guias, guardas florestais ou proprietários de casas de hóspedes, e parte dos fundos obtidos pode ser destinada à proteção ambiental.
A apresentação feita pela especialista italiana em turismo gastronômico, Professora Roberta Garibaldi, da Universidade de Bergamo, gerou grande repercussão. Segundo ela, o turista moderno não se contenta mais com simples degustações de pratos locais; ele deseja saber a origem dos produtos, o processo de preparo e a história por trás de cada prato.
Para viajantes europeus, as experiências gastronômicas ocupam o segundo lugar após a experiência cultural entre as mais desejadas. No entanto, no mercado chinês, a comida já se tornou a prioridade número um. Isso tem um significado especial para o Uzbequistão, pois pilaf, samsa, pão, frutas, chá, bem como mercados e receitas familiares de diferentes regiões, podem ser integrados em roteiros turísticos completos. O visitante poderá não apenas comer bem, mas também visitar um mercado, conhecer o produtor, aprender a cozinhar ou ficar em uma propriedade particular.
Garibaldi sugeriu desenvolver não apenas a marca geral da culinária uzbeque, mas também histórias gastronômicas únicas de regiões específicas, incluindo Khorezm, Bukhara, Samarcanda, Vale de Fergana e Karakalpakstan. Ela enfatizou que o Uzbequistão não precisa inventar sua identidade culinária, pois ela já existe, e agora é necessário transformá-la em experiências turísticas modernas.
Outro segmento importante do seminário foi dedicado a encontros B2B. Operadores turísticos estrangeiros negociaram com empresas uzbequistanas, hotéis e outros atores do mercado turístico. Murtaza Kalender, presidente do conselho de administração da Travel Shop Booking, observou que tais encontros são um mecanismo para transformar ideias em ofertas turísticas reais. Ele apontou que os negócios locais possuem produtos prontos, enquanto os operadores estrangeiros têm acesso a uma base de clientes internacional, o que pode levar à assinatura de novos contratos e ao aumento do fluxo turístico.
Kalender também caracterizou o Uzbequistão como o 'coração da Grande Rota da Seda', destacando o enorme potencial do país nos setores de ecoturismo, gastronomia e cultura.
Junjait Aldemir, deputado da Assembleia Nacional Turca, falou sobre o desenvolvimento das ligações turísticas entre o Uzbequistão e a Turquia. Ele afirmou que o Uzbequistão possui um potencial significativo para turismo cultural, religioso, natural e gastronômico. Ao mesmo tempo, é importante aumentar não apenas o fluxo de turistas turcos para o Uzbequistão, mas também o número de viajantes uzbeques para a Turquia. Samarcanda, Bukhara, Khiva e Tashkent são de interesse especial, assim como os locais relacionados ao patrimônio islâmico. Aldemir observou que 'o Uzbequistão realmente se tornou uma das estrelas ascendentes da moderna Rota da Seda'.
Jakhongir Saidov, chefe da Diretoria de Diversificação Turística do Comitê de Turismo, enfatizou que a principal tarefa do setor hoje não é apenas atrair mais turistas, mas também garantir que os visitantes permaneçam no país por mais tempo, visitem mais regiões e gastem dinheiro em bens e serviços locais. Para alcançar esse objetivo, novas direções estão sendo ativamente desenvolvidas, incluindo o ecoturismo, entre as quais Aidarsay e Zomin foram destacados.
De acordo com dados apresentados por Roberta Garibaldi, apenas no período de janeiro a maio de 2026, o Uzbequistão recebeu 5,35 milhões de turistas estrangeiros, superando o indicador do ano anterior em 27,3%. O seminário demonstrou que a imagem turística do Uzbequistão vai além dos monumentos de Samarcanda, Bukhara e Khiva. Ela inclui o leopardo das neves nas montanhas, o saiga no deserto, as aves em Aidarkul, a culinária regional, os mercados locais, os artesanatos e as pessoas que preservam as tradições. É a combinação de natureza, cultura e gastronomia que pode abrir novos mercados para o país, e os parceiros internacionais são convidados não apenas para visitar, mas para criar e promover conjuntamente um produto turístico sustentável.
