Os celulares dobráveis já existem no mercado há algum tempo, e a Samsung acaba de apresentar a oitava geração de sua linha de smartphones flexíveis. Contudo, até agora, esses dispositivos eram vistos apenas como curiosidades tecnológicas, pois, embora realizassem funções semelhantes aos demais, apresentavam poucas inovações, como um aumento no espaço de tela quando necessário.
O Samsung Galaxy Z Fold 8, disponível nas lojas brasileiras desde agosto, busca se diferenciar ainda mais dos concorrentes. Seu design remete a um passaporte quando fechado, sendo compacto, e ao ser aberto, assemelha-se a um livro pequeno e fácil de manusear.
Avaliação Detalhada
A equipe Olhar Digital teve a oportunidade de testar uma unidade do aparelho nas últimas semanas e compartilha suas impressões. O dispositivo é considerado um dos celulares mais empolgantes lançados recentemente, apesar de seu alto custo, que o restringe a um público com grande poder aquisitivo e disposição para experimentar novas tecnologias.
O Galaxy Z Fold 8 se distingue não apenas por ser dobrável, mas também por adotar um design totalmente novo, mesmo comparado a outros telefones com telas flexíveis. Ao segurá-lo, o formato lembra um passaporte. Aberto, ele se assemelha a um livro fino. Fechado, mantém proporções próximas a um celular comum e compacto, proporcionando uma pegada mais firme e natural no cotidiano.
A característica de ser compacto quando fechado deve-se ao tamanho de sua tela externa: com 5,5 polegadas, ela é significativamente menor que a média dos celulares atuais (que, em modelos menores, ultrapassam 6 polegadas) e possui uma proporção diferente, utilizando 16:10 em vez do padrão 16:9.
Este tamanho reduzido permite que o Galaxy Z Fold 8 seja pequeno o suficiente para caber em qualquer bolso e possa ser operado com uma única mão sem dificuldade, eliminando o esforço de alcançar o topo da tela, comum em modelos maiores.
Para quem necessita de mais área de visualização, o dispositivo se abre revelando uma tela de 7,6 polegadas. Embora seja ligeiramente menor que um tablet pequeno, ela adota a proporção 4:3, similar às televisões antigas.
Na prática, isso significa que o Galaxy Z Fold 8, quando aberto, é leve, confortável de segurar e oferece bastante espaço para exibir dois aplicativos simultaneamente sem que o conteúdo fique comprimido. Ele é menor que tablets compactos, mas maior que um Kindle, o que o torna ideal para leitura.
Assim como é usual em dobráveis, a tela flexível exibe uma dobra na área da dobradiça. Este pequeno desnível é visível, mas não causa desconforto durante o uso. Ao deslizar o dedo pela tela, sente-se o ponto onde o dedo afunda devido a essa dobra.
Ambos os visores apresentam imagens nítidas, cores vibrantes e uma rolagem de tela extremamente suave, garantindo uma qualidade visual agradável em qualquer ambiente.
Equipado com o processador Snapdragon 8 Elite Gen 5 e 12 GB de RAM, o Galaxy Z Fold 8 demonstra um desempenho excepcional. Ele gerencia multitarefas com facilidade, suporta jogos pesados sem falhas e consegue executar tarefas exigentes, como edição de vídeo.
No entanto, o diferencial do aparelho reside em seu formato distinto, e não apenas em seu desempenho de ponta. É possível iniciar um aplicativo com o telefone fechado e, ao abri-lo, observar que o aplicativo continua ativo, mas adaptado a um layout mais próximo de um tablet, caso o próprio aplicativo suporte esse modo.
Embora outros dobráveis façam o mesmo, a diferença no tamanho e no formato confere ao Galaxy Z Fold 8 uma experiência de uso notavelmente mais agradável em comparação com outros modelos.
O Galaxy Z Fold 8 é excelente para ler artigos, livros, PDFs ou quadrinhos devido à sua tela na proporção 4:3 (ou 3:4, dependendo da postura). Ele é leve, agradável de carregar e não incomoda as mãos mesmo após longos períodos de uso.
Um ponto negativo pode ser a câmera da tela interna, localizada em um orifício superior, que ocasionalmente pode coincidir com um botão em certos aplicativos, ou cortar parte da imagem em vídeos no formato 4:3. Isso não impede o uso, mas pode ser incômodo.
Em relação às câmeras, o Galaxy Z Fold 8 possui duas câmeras frontais, uma em cada tela, ambas com 10 MP. Elas são adequadas para videochamadas e selfies rápidas, embora existam smartphones com capacidades superiores nesse quesito.
Na parte traseira, o sistema conta com dois sensores de 50 MP, sendo um deles ultra-wide. Como é esperado de produtos Samsung, as câmeras são de alta qualidade, produzindo imagens nítidas, com cores bonitas e bom equilíbrio entre luz e sombra, ideais para viagens e redes sociais.
Usar a câmera traseira é simples quando o telefone está fechado, semelhante a outros celulares. No entanto, ao estar aberto, o peso do aparelho pode fazer com que a mão do usuário fique próxima às lentes, exigindo reposicionamento para não obstruir a visão.
A bateria de 4.800 mAh, embora possa não parecer impressionante no papel, oferece boa autonomia, suprindo uso moderado por mais de um dia. Não é um aparelho que exige carregamento constante, mas também não dura vários dias sem tomada, cumprindo bem o esperado para um celular em 2026.
O aparelho suporta carregamento sem fio e inclui um carregador de 45 W na caixa, o que é vantajoso para quem deseja minimizar o tempo conectado à energia.
Com um formato inovador, o Galaxy Z Fold 8 demonstra que ainda há espaço para evolução nos smartphones. Após mais de dez anos de aparelhos com designs e funcionalidades quase idênticas, o novo dobrável da Samsung proporciona uma experiência nova e funcional. Ele é versátil: compacto quando necessário e com ampla tela para tarefas complexas.
Se o Galaxy Z Fold 8 aponta para o futuro dos smartphones, sugere um caminho promissor. O desafio atual é o preço elevado (acima de R$ 12 mil no lançamento), e não há indícios de que os dobráveis se tornarão mais acessíveis em breve, limitando seu acesso a pessoas com alto poder aquisitivo e desejo de experimentar.
Existem pontos a serem aprimorados, como o potencial das câmeras e a posição do sensor interno em alguns aplicativos. Contudo, o Galaxy Z Fold 8 é um dos celulares mais empolgantes vistos recentemente, e a transição para um aparelho convencional após usá-lo será difícil.
