NASA lança Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, missão que Donald Trump havia tentado cancelar
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NASA lança Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, missão que Donald Trump havia tentado cancelar

O lançamento do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, um projeto da NASA, está próximo. Esta missão, que chegou a ser alvo de tentativas de cancelamento por parte do presidente dos EUA, Donald Trump, tem decolagem marcada para este domingo (dia 30), às 8h26, horário de Brasília. O lançamento será realizado a bordo de um foguete Falcon Heavy, fornecido pela SpaceX, partindo do Centro Espacial Kennedy, localizado na Flórida, com transmissão ao vivo pelo Olhar Digital.

Após deixar a órbita terrestre, o equipamento se dirigirá ao Ponto de Lagrange 2 (L2), situado a aproximadamente 1,5 milhão de quilômetros do planeta, no lado oposto ao Sol. Essa localização é considerada crucial para estudos astronômicos, pois proporciona condições ideais para os instrumentos e assegura ao observatório uma visão abrangente do Universo.

O Roman figura entre os principais observatórios espaciais da nova geração da NASA. O desenvolvimento deste projeto abrangeu quase duas décadas e recebeu aportes financeiros estimados em cerca de US$4 bilhões. A missão terá como foco o estudo de matéria escura, energia escura e exoplanetas, além de investigar a evolução cósmica.

Um aspecto notável do telescópio é seu vasto campo de visão. Ele será capaz de capturar uma área celeste cerca de cinquenta vezes maior do que aquela registrada pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST) em uma única fotografia. Isso possibilitará a realização de extensos levantamentos astronômicos tanto em luz visível quanto em infravermelho próximo.

Incerteza Orçamentária e Esforços da Equipe

Apesar de sua relevância científica, a missão enfrentou um período de instabilidade. Em 2025, uma proposta orçamentária do governo Trump previa reduções significativas para a NASA, incluindo um corte de aproximadamente 50% nos programas científicos da agência. Esses documentos indicavam verbas para telescópios como Hubble e James Webb, mas não contemplavam outros observatórios.

A possibilidade de suspensão do Roman gerou apreensão entre cientistas, engenheiros e técnicos, especialmente porque o projeto estava muito próximo de ser finalizado. Naquele momento, membros da equipe estimavam que o telescópio estava cerca de 95% concluído. Para os profissionais que dedicaram anos à missão, a perspectiva de interrupção era extremamente frustrante.

Jamie Dunn, que liderou o Roman entre 2018 e 2025 e atualmente chefia o Centro de Voos Espaciais Goddard, comentou sobre as dificuldades financeiras: «Dos oito anos em que trabalhei no Roman, fomos zerados no orçamento do presidente em pelo menos metade deles», declarou ao Space.com.

Embora a proposta oficial não tenha determinado o cancelamento total, ela manteve um cenário de grande preocupação. O governo destinaria US$156,6 milhões ao desenvolvimento do Roman no ano fiscal de 2026, o que representa menos da metade do montante recebido anteriormente.

A diminuição de pessoal também impactou o trabalho. Em um setor ligado ao telescópio, dois dos três técnicos especializados deixaram seus cargos, elevando a demanda de trabalho durante uma fase crítica dos testes.

Não obstante a escassez de recursos e de funcionários, a equipe conseguiu manter o cronograma. Os profissionais passaram a cumprir jornadas duplas e a trabalhar nos finais de semana para finalizar as etapas planejadas.

A situação mudou quando o Congresso dos Estados Unidos vetou os cortes mais severos propostos à NASA, restaurando o orçamento da agência aos patamares anteriores. Mesmo assim, a equipe optou por adiantar a missão para mitigar o risco de futuras alterações orçamentárias. A data prevista foi inicialmente movida para setembro e, posteriormente, para o final de agosto. Este esforço culminou em um sucesso: em abril, a NASA anunciou que o Roman estava finalizado cerca de oito meses antes do prazo original e com um custo abaixo do orçamento previsto.

Atualmente, o principal desafio reside na decolagem. Após anos de desenvolvimento, testes e incertezas orçamentárias, a equipe deve aguardar o desempenho do foguete, uma fase que está fora do controle dos responsáveis pelo telescópio.

Após deixar a Flórida, o Roman levará aproximadamente trinta dias para atingir o L2. Durante esta jornada, a nave espacial executará manobras para ajustar sua rota e alcançar a posição designada. Um dos momentos mais cruciais ocorrerá cerca de vinte e quatro horas após o lançamento, quando está programada uma correção de curso, procedimento essencial para posicionar a nave na trajetória correta para seu destino.

Capacidades Avançadas do Telescópio Roman

O telescópio Nancy Grace Roman está equipado para modificar drasticamente a contagem de exoplanetas na Via Láctea, utilizando duas metodologias de detecção complementares e altamente sofisticadas. Uma delas permitirá obter imagens diretas de certos mundos, enquanto a outra revelará planetas menores e mais distantes através dos efeitos que exercem sobre a luz das estrelas.

A primeira técnica emprega um coronógrafo, um instrumento projetado para bloquear a luz da estrela observada. Este recurso é indispensável porque o brilho estelar é muito superior ao de um planeta. Sem esse bloqueio, a luminosidade da estrela obscureceria o planeta circundante, dificultando sua identificação.

Durante sua participação no programa Olhar Espacial, apresentado pelo astrônomo Marcelo Zurita, a astrobióloga Raíssa Estrela, pesquisadora do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, detalhou o funcionamento. Ela explicou que «essa tecnologia que a gente chama de coronógrafo é basicamente um instrumento que bloqueia a luz da estrela-mãe. E por que a gente quer bloquear essa luz? Porque quando a gente bloqueia a luz da estrela-mãe, a gente consegue ver a luz refletida pelos planetas que estão habitando essa estrela. O brilho da estrela é tão forte que ela ofusca toda a imagem. Então, a gente precisa bloquear para conseguir ver a luz refletida pelos planetas que estão orbitando. Com esse tipo de observatório, a gente vai conseguir fazer o imageamento mesmo do sistema planetário».

Raíssa também destacou a diferença em relação às abordagens atuais. «Vai deixar de ser uma medida indireta, como é o caso que a gente faz hoje com o James Webb, para também ter agora o imageamento mesmo dos planetas».

O coronógrafo será mais eficaz para planetas gigantes gasosos, comparáveis a Júpiter. Para corpos menores, o Roman utilizará outra estratégia: a microlente gravitacional. Este fenômeno acontece quando a luz de uma estrela distante atravessa perto de um objeto de grande massa. A atração gravitacional desse corpo curva o espaço-tempo e desvia o trajeto da luz, criando uma espécie de lente natural.

Se o objeto possuir um planeta em sua órbita, a gravidade desse mundo também pode causar uma leve variação na luz detectada. Este efeito possibilita a identificação de planetas que seriam difíceis de serem encontrados por outros métodos.

O pesquisador Leandro de Almeida, da Divisão de Astrofísica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), elucidou o princípio durante o Olhar Espacial. «A luz vai reto num espaço-tempo curvo. Quando a luz passa por um objeto de muita massa, o feixe sofre uma deflexão e muda o caminho. O observador não sabe disso, então ele vai ver a estrela em uma outra posição, que é a posição que a gente chama de imagem».

Ao integrar ambas as técnicas, o Roman poderá investigar distintas populações de exoplanetas e auxiliar os cientistas a compreender a quantidade de mundos existentes na Via Láctea e quais tipos de sistemas planetários são mais prevalentes.

Após quase vinte anos de desenvolvimento, o Roman está prestes a deixar a Terra. Para a equipe, a apreensão causada pelos cortes e mudanças orçamentárias dá lugar à expectativa de acompanhar o início de uma missão que esteve à beira de ser interrompida antes mesmo de alcançar o espaço.

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