A administração do Presidente norte-americano Donald Trump implementou uma medida concreta, após o anúncio do secretário do Tesouro, Scott Bessent, de retirar «todos os recursos económicos» à República Islâmica, visando isolar o regime de Teerão.
Esta ação visa impedir que as agências do Banque Misr, o segundo maior banco do Egito nos Emirados Árabes Unidos (UAE), acessem instituições financeiras americanas, dificultando assim a realização de transações em dólares.
Bessent declarou em comunicado do Departamento do Tesouro que alertaram aqueles que apoiam o Irã sobre a impossibilidade de manter acesso ao dólar americano e ao sistema financeiro global. Ele acrescentou que o Banque Misr UAE optou por descobrir isso da maneira mais complicada e que o primeiro passo para responsabilizá-lo pelo apoio contínuo ao regime iraniano foi dado.
O representante norte-americano informou que o Tesouro planeia interromper todas as fontes de sustento económico restantes para Teerão, encerrando definitivamente a ameaça representada pelo regime iraniano.
Na segunda-feira, Scott Bessent revelou os detalhes da «Operação Pária Económico» direcionada ao Irã, cujo propósito é aplicar sanções a todos os envolvidos em negócios com o regime de Teerão. Trump apelidou esta nova ofensiva económica contra o Irã de «Dia D económico».
O jornal Financial Times noticiou que a medida do Tesouro americano que afeta as operações do banco egípcio nos Emirados Árabes Unidos terá um prazo de 30 dias para comentários públicos antes de ser efetivada.
Os Estados Unidos classificaram o banco egípcio como um «ponto fundamental de financiamento do regime» iraniano e um «elo crucial para o acesso do regime ao dólar americano».
A nota oficial do Departamento do Tesouro americano estimou que, no período entre janeiro de 2024 e junho de 2026, o Banque Misr UAE teria processado cerca de 1,8 mil milhões de dólares (aproximadamente 1,5 mil milhões de euros à taxa de câmbio vigente) para 103 empresas que poderiam fazer parte de redes bancárias paralelas iranianas.
As autoridades americanas explicaram que o Irã utiliza redes bancárias paralelas para gerar receitas no exterior, contornando as sanções, pois estas redes «proporcionam acesso fundamental a relações bancárias correspondentes em dólares americanos». Além disso, essa fonte mencionou que o Irã emprega tais redes para lavar dinheiro, comprar armamentos e financiar seus grupos terroristas regionais por procuração.
O Tesouro americano especificou que entre os clientes do Banque Misr UAE estão presentes «empresas de fachada» usadas pelo Ministério da Defesa do Irão e pela Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica, tanto para eludir as sanções dos EUA quanto para lavar dinheiro em nome do Líder Supremo iraniano, Mojtaba Khamenei.
A nota divulgada pelo Tesouro americano também impôs sanções ao gerente da filial do Banco Melli em Dubai, Reza Mohammad Taeedi, e a uma «empresa de fachada» sediada em Hong Kong que supostamente «auxiliou no branqueamento de fundos para uma casa de câmbio iraniana sob sanções».
Washington afirmou que o Banco Melii facilitou transações no valor de bilhões de dólares através de contas controladas pela Força Quds, a unidade de elite da Guarda Revolucionária Islâmica.
Contudo, segundo o Financial Times, o alcance limitado desta medida demonstra a hesitação de Washington em visar outros alvos de maior magnitude, como grandes bancos e entidades apoiadas pelo Estado chinês, principal parceiro económico de Teerão. O jornal financeiro sugere que este receio pode advir do temor de que ações mais severas possam desestabilizar ainda mais a economia e os mercados globais.
Esta iniciativa ocorre enquanto Bessent se prepara para receber os ministros das Finanças do G20 (as 20 maiores e emergentes economias mundiais) na Carolina do Norte na próxima semana. Os esforços mais recentes de Washington para restringir a economia iraniana deverão ocupar um lugar de destaque nesta reunião.
A disputa entre os Estados Unidos e o Irã completa seis meses sem que Washington consiga eliminar o programa nuclear iraniano ou forçar uma mudança de regime em Teerão. Este conflito tem gerado, entre outros impactos, uma crise energética global, consequências globais no custo de vida, um Médio Oriente mais instável e um dilema político relevante para o Presidente Donald Trump, que concorre pelo controle do Congresso norte-americano nas eleições intercalares de novembro.
A «Operação Fúria Épica» teve início em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva aérea em grande escala contra instalações militares, nucleares e líderes iranianos, resultando, entre outras baixas, na morte do líder supremo, Ali Khamenei.