Em Tashkent, Uzbequistão, o Centro Nacional de Direitos Humanos do Uzbequistão, em colaboração com a Associação Nacional de Organizações Não Governamentais do Uzbequistão, realizou um seminário de treinamento em 28 de agosto de 2026. O tema principal do evento foi a preparação de relatórios alternativos no âmbito dos tratados internacionais de direitos humanos e o envolvimento da sociedade civil no processo de tomada de decisões ambientais.
O evento, realizado na Casa dos Direitos Humanos, reuniu cerca de trinta representantes de ONGs de todo o país, incluindo líderes da direção central e oficiais regionais da Associação. A realização do seminário está alinhada com o roteiro de implementação da quinta fase do Programa Mundial de Educação em Direitos Humanos no Uzbequistão, aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros nº PKM-91 de 3 de março de 2026.
Principais Apresentações e Compromissos
Na abertura, falaram Akmal Saidov, diretor do Centro Nacional de Direitos Humanos, Kamoliddin Ishanhodzhaev, presidente do Conselho da Associação Nacional de ONGs, e Erkin Isakulov, consultor de direitos humanos no Escritório Regional do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) para a Ásia Central. Os palestrantes enfatizaram a importância da cooperação estruturada entre órgãos governamentais e sociedade civil para promover as reformas atuais na área de direitos humanos.
Saidov destacou o plano de ação do país, que marca o 60º aniversário do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos e do Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, considerando o seminário no contexto desses compromissos mais amplos.
Base Constitucional e Monitoramento Internacional
Referindo-se à base constitucional, Saidov citou a Constituição atualizada de 2023, que incluiu oficialmente o Capítulo XIII para definir o status legal e o papel das instituições da sociedade civil. Ele observou que, de acordo com a Estratégia 'Uzbequistão – 2030', o país continua a cumprir seus compromissos internacionais, ratificando 11 principais tratados de direitos humanos da ONU e apresentando até hoje 52 relatórios nacionais aos órgãos de tratados.
O tema chave da discussão foi o papel das estruturas não estatais no monitoramento internacional. Os dados apresentados no seminário mostraram que mais de 140 ONGs internacionais e nacionais, incluindo 22 operando no Uzbequistão, prepararam relatórios alternativos para os comitês da ONU. Artur Yatsevich, consultor de direitos humanos do ACNUDH, conduziu uma sessão prática, fornecendo metodologia para o uso de ferramentas de monitoramento internacional e práticas padrão de elaboração de relatórios alternativos.
Princípios da Convenção de Aarhus
A segunda parte do seminário foi dedicada aos princípios da implementação da Convenção de Aarhus. Um representante do Comitê Nacional do Uzbequistão sobre Meio Ambiente e Mudanças Climáticas expôs os três pilares principais da convenção: acesso público à informação ambiental, participação pública nos processos de tomada de decisões ambientais e acesso à justiça em questões ambientais.
Ao final do seminário, os representantes das ONGs receberam recomendações práticas sobre a elaboração de relatórios alternativos de direitos humanos e sugestões para a aplicação dos princípios da Convenção de Aarhus na autoadministração local, sendo que as propostas finais devem ser apresentadas aos departamentos governamentais competentes.
