O autor, laureado com um prêmio e jornalista Rabbi Sermula, levanta a questão do gasto pelo governo de 1,45 bilhão de randes em salas de aula móveis, enquanto a província de Gauteng necessita de cerca de 200 novas escolas.
Embora soluções temporárias sejam por vezes necessárias em situações de crise, quando as crianças não podem esperar pela construção de edifícios permanentes, o problema surge quando o temporário se torna permanente.
A população de Gauteng aumentou significativamente desde 1995, passando de aproximadamente 1,4 milhão para 2,8 milhões de pessoas, o que resultou em uma escassez de milhares de salas de aula. O governo afirma que as salas de aula móveis são necessárias para combater a superlotação enquanto a infraestrutura permanente está sendo desenvolvida.
O Ministro do Desenvolvimento de Infraestrutura e Obras Públicas, Lebogan Mabile, explica essa situação pelo crescimento populacional, pressão sobre as escolas existentes e o longo processo de criação de infraestrutura permanente, argumentando que o governo não pode simplesmente resolver a superlotação esperando pela construção de cada nova escola.
No entanto, o autor acredita que se uma escola precisa de 30, 40 ou até 45 salas de aula móveis, a solução deixa de ser temporária. Nesse caso, a questão muda de reagir à crise para o planejamento adequado do futuro.
Reconhecendo que o valor de 1,45 bilhão de randes não foi necessariamente desperdiçado, já que não se sabe quanto foi gasto em cada sala, sanitário, instalação, transporte ou infraestrutura associada, o mais importante é que esses gastos falam sobre os métodos de gestão.
A África do Sul, na opinião do autor, tornou-se muito boa em criar soluções temporárias: desde moradia provisória na ausência de permanente, até o envio de cisternas de água, reparos em estradas e improvisação em hospitais superlotados, além do uso de salas de aula móveis em escolas lotadas.
Mas em algum momento, o conserto temporário se transforma em realidade permanente. É aqui que o valor de 1,45 bilhão de randes se torna um exemplo do que acontece quando o governo gasta dinheiro para comprar tempo, mas não usa esse tempo para construir o que o país realmente precisa.
Uma sala de aula móvel deve servir como ponte entre o problema urgente e a solução final, mas uma ponte só é útil se levar a algum lugar. Se uma criança começa a estudar no primeiro ano em uma sala de aula móvel e, anos depois, encontra os mesmos muros, a ponte se torna sutilmente o destino final, o que deveria preocupar a todos.
É importante entender que não se trata de contêineres, orçamentos ou documentos de compra, mas sim das crianças, cuja educação não pode ser suspensa enquanto os adultos discutem planos de infraestrutura. Portanto, cada centavo gasto em uma solução temporária deve vir acompanhado da pergunta: quando o estado temporário terminará?
