A altura varia ao longo do dia devido à compressão dos discos intervertebrais da coluna
Leia mais
Olhar Digital
olhardigital.com.br

A altura varia ao longo do dia devido à compressão dos discos intervertebrais da coluna

É comum notar que a altura de uma pessoa é ligeiramente maior ao acordar em comparação com o momento de ir dormir. Essa diferença pode atingir cerca de 1% da altura total ao longo do dia, o que corresponde a aproximadamente um ou dois centímetros. Este fenômeno está primariamente relacionado à coluna vertebral e não ao encolhimento dos ossos.

Entre as vértebras encontram-se os discos intervertebrais, estruturas que atuam como amortecedores, auxiliando na distribuição do peso corporal e na absorção de choques. Ao longo do dia, atividades como caminhar e permanecer em pé intensificam a pressão sobre esses discos, causando sua compressão e alteração temporária de volume.

Ao deitar-se para dormir, a coluna deixa de suportar o peso corporal da mesma maneira. Nesse estado, os discos conseguem recuperar parte do volume que haviam perdido, resultando no aumento da altura. Trata-se de um processo fisiológico que ocorre diariamente.

Estudos científicos comprovam a variação da altura

Este fenômeno já foi documentado por meio de exames de imagem. Um estudo realizado em 1994, publicado na revista científica Spine, monitorou oito homens saudáveis utilizando ressonância magnética. Os pesquisadores examinaram três discos da região lombar e constataram uma diminuição notável em volume, altura e diâmetro após períodos de atividade, o que ajuda a explicar a flutuação da estatura ao longo do dia.

É importante ressaltar que essa variação não implica que todos percam exatamente um ou dois centímetros; o grau de mudança depende de fatores individuais, do nível de atividade física e da metodologia utilizada para medir a altura. Além disso, não se trata de um encurtamento permanente, pois os ossos mantêm seu tamanho constante; a modificação ocorre principalmente pela compressão da coluna sob carga.

O efeito da microgravidade

O impacto desse efeito torna-se ainda mais evidente quando a gravidade é drasticamente reduzida. Em condições de microgravidade, como as encontradas em voos espaciais, o corpo está submetido a uma carga muito menor que na Terra, o que impede a compressão usual dos discos intervertebrais.

Com menor pressão, os discos podem se expandir e a coluna se alongar, permitindo que astronautas atinjam alturas maiores durante missões estendidas. Um estudo de 2016, também publicado na revista Spine, acompanhou seis astronautas da NASA antes e após uma missão de seis meses na Estação Espacial Internacional. A pesquisa analisou as mudanças nos músculos de suporte da coluna e nos próprios discos intervertebrais.

O artigo mencionou um aumento aproximado de cinco centímetros na altura corporal como uma alteração ligada à longa permanência na microgravidade, embora este dado fosse apresentado como conhecimento já estabelecido na literatura, e não como o achado principal das medições feitas com os seis astronautas.

Contudo, ficar mais alto no espaço não garante conforto; astronautas podem sentir dores nas costas durante as missões espaciais, e a exposição prolongada à microgravidade causa diversas modificações musculares e ósseas.

Adaptação ao retornar à Terra

O regresso à Terra também exige um período de readaptação. Assim que a gravidade retorna ao seu funcionamento normal, a coluna volta a receber carga. A NASA investiga questões relacionadas aos discos intervertebrais após longas missões, apontando que quaisquer lesões potenciais possuem causas multifatoriais.

Portanto, não é correto afirmar que o mero ato de alongar a coluna no espaço causa lesões; o alongamento ocorre concomitantemente a uma série de outras transformações induzidas pela microgravidade.

No ambiente terrestre, é possível observar uma versão muito mais discreta desse processo. Basta comparar a altura medida sem calçados logo ao despertar com uma medição feita antes de dormir, utilizando o mesmo local e mantendo a mesma postura. Se houver diferença, ela pode variar de poucos milímetros a mais de um centímetro, sendo um reflexo da resposta da coluna à carga acumulada durante o dia, e não necessariamente um erro na medição.

Popular