O buraco negro mais próximo da Terra atualmente conhecido é o Gaia BH1. Este objeto encontra-se a aproximadamente 1.560 anos-luz de distância, na direção da constelação de Ofiúco, também conhecida como Serpentário. Para referência, um ano-luz corresponde à distância percorrida pela luz em um ano, o que equivale a cerca de 9,5 trilhões de quilômetros. Embora esteja distante da vizinhança imediata do Sol, ele representa o vizinho mais próximo deste tipo de entidade já identificado.
A descoberta do Gaia BH1 foi possibilitada pelos dados coletados pela missão Gaia, um satélite da Agência Espacial Europeia (ESA). Este satélite realizou um mapeamento extremamente preciso da posição e do movimento de bilhões de estrelas na Via Láctea durante o período compreendido entre 2014 e 2025.
Os resultados foram divulgados em novembro de 2022 na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. O estudo foi liderado pelo astrofísico Kareem El-Badry, que pertence ao Center for Astrophysics | Harvard & Smithsonian.
A maioria dos buracos negros é detectada quando estão ativamente consumindo matéria; eles sugam gás de uma estrela próxima, e este material forma um disco que irradia intensamente em raios X. No caso do Gaia BH1, essa situação não ocorre, pois ele é classificado como um buraco negro adormecido, ou seja, não está absorvendo matéria de maneira visível, o que impede a emissão de luz ou radiação detectável.
Os cientistas empregaram a técnica da astrometria para localizá-lo, método que mede com exatidão o posicionamento e o desvio das estrelas no céu. Foi notado que uma estrela semelhante ao Sol, situada na mesma área, apresentava um ligeiro oscilamento em sua rota, indicando uma atração gravitacional por algo invisível. Esta estrela orbita o objeto oculto a uma distância comparável àquela que separa a Terra do Sol, completando uma órbita a cada 185,6 dias.
Se o objeto fosse outra estrela, ele emitiria luz considerável devido à sua grande massa. Contudo, como nenhum brilho correspondente foi registrado, mesmo com o auxílio de telescópios como o Gemini North e o Keck, concluiu-se que se tratava de um buraco negro com massa estimada em dez vezes a massa do Sol.
Mais informações sobre buracos negros
É importante esclarecer que um buraco negro não funciona como um «aspirador cósmico» que atrai tudo ao seu redor. Sua influência gravitacional comporta-se como a de qualquer outro corpo com massa equivalente; a intensidade extrema só se manifesta próximo ao horizonte de eventos, que é o limite intransponível a partir do qual nem a luz consegue escapar. A 1.560 anos-luz de distância, essa força gravitacional exerce um impacto insignificante sobre o Sistema Solar.
Além disso, a vasta distância torna qualquer tentativa de viagem impraticável com a tecnologia atual. A espaçonave mais veloz já construída levaria dezenas de bilhões de anos para alcançá-lo, um período superior à idade do próprio Universo.
Existe, contudo, uma hipótese teórica, publicada também na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e liderada por Stefano Torniamenti, que sugere a possibilidade de buracos negros de massa estelar estarem escondidos no aglomerado das Híades, estando a apenas cerca de 150 anos-luz — dez vezes mais próximos que o Gaia BH1. Apesar disso, até o momento, nenhum desses objetos foi confirmado por meio de observação direta, diferentemente do que ocorreu com o Gaia BH1.
Astrônomos estimam que a Via Láctea possa conter aproximadamente cem milhões de buracos negros, mas a maioria permanece invisível. Aqueles que não possuem uma estrela companheira para sinalizar seu efeito gravitacional simplesmente não fornecem pistas detectáveis.
Para quem desejar observar a região celeste onde reside o atual recordista, recomenda-se procurar a constelação de Ofiúco em noites claras, sendo esta visível também no hemisfério sul. Embora o buraco negro em si jamais seja visível a olho nu, a curiosidade é acessível gratuitamente, visto que cada novo conjunto de dados proveniente de missões como a Gaia tem potencial para redefinir este recorde nos próximos anos.
