Manifestantes bloqueiam distribuição de alimentos da Cruz Vermelha a migrantes em Ceuta
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Manifestantes bloqueiam distribuição de alimentos da Cruz Vermelha a migrantes em Ceuta

Centenas de manifestantes realizaram um protesto pacífico na cidade autónoma espanhola para pressionar o Governo a encontrar uma solução para a crise local. Os participantes proferiram slogans como «Desta estrada não nos moverão» e manifestaram insatisfação com a persistência de uma situação que, segundo eles alegaram, está a afetar a vida quotidiana dos residentes e a aumentar o sentimento de insegurança.

A concentração ocorreu sem qualquer incidente, e os manifestantes mantiveram a sua posição mesmo com a presença policial. Durante o evento, foram ouvidas críticas direcionadas à Cruz Vermelha espanhola, com apelos para que a organização deixasse de prestar apoio aos migrantes ilegais em diversos pontos da cidade.

Os manifestantes defenderam que a sua mobilização visa reivindicar o direito dos habitantes de Ceuta de restabelecer a normalidade. Eles questionaram por que razão, quase um mês após a chegada massiva de imigrantes em 30 de julho, ainda não foram implementadas soluções para aliviar a superlotação da cidade e responder às necessidades das pessoas que ali residem.

Uma das participantes declarou que é necessário retomar a rotina e que os filhos devem poder sair, desejando que a Ceuta volte a ser como era antes. Outra manifestante ressaltou que as necessidades dos habitantes locais também devem ser atendidas, mencionando que «há muita gente de Ceuta a passar dificuldades». Esta mesma pessoa argumentou que a assistência aos migrantes não pode ocorrer em prejuízo dos residentes da cidade.

Durante o protesto, surgiram críticas à permanência de migrantes na praia El Trampolin, acompanhadas de pedidos para que fossem transferidos para fora de Ceuta, seguindo os procedimentos legais estabelecidos. A Polícia solicitou aos manifestantes que permitissem a passagem do veículo da Cruz Vermelha, o qual prosseguiu o seu trajeto.

Mais tarde nesse mesmo dia, habitantes de Ceuta causaram distúrbios na praia de Benítez, levando à intervenção policial. Os distúrbios ocorreram após os manifestantes entrarem nos acampamentos de migrantes que pernoitam na área e causarem danos, incluindo a queima de pertences.

Os manifestantes exibiram uma bandeira gigante de Espanha e juntaram-se a outras manifestações naquele local, dirigindo-se à praia El Trampolin, onde se realiza a distribuição de alimentos.

Estes protestos, que já se arrastam há vários dias, sucederam-se após o Governo ter finalmente designado esta semana um comando único para coordenar a resposta à crise, uma exigência que a cidade autónoma havia apresentado desde o início da crise.

Na terça-feira, foi comunicada a intenção do Executivo de designar locais para concentrar temporariamente os migrantes que estão na via pública, facilitando a sua identificação e a triagem correspondente. Este passo inicial visa determinar a situação individual de cada indivíduo e ativar, se for o caso, os processos de regresso ou expulsão previstos na legislação.

Ceuta, um pequeno território com aproximadamente 83.000 habitantes, situa-se no extremo norte de Marrocos e é banhada pelo Estreito de Gibraltar. É uma das duas fronteiras terrestres entre África e Europa, juntamente com Melilla, outra enclave espanhola.

No final de julho, em apenas 24 horas, cerca de 72.000 pessoas ingressaram na cidade autónoma espanhola. Pelo menos 82 pessoas faleceram ao tentar chegar a Ceuta nadando. Quase um mês depois, ainda não existem dados precisos sobre o número de migrantes que permanecem em Ceuta, embora algumas estimativas apontem para até 8.000 ilegais.

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