De acordo com um novo estudo da Universidade do Cabo (UCT), o aumento do custo do transporte está forçando as pessoas a reduzir suas viagens, sendo os usuários de transporte público os mais afetados. Mais de 40% desses usuários relataram ter sido obrigados a viajar menos devido ao aumento dos custos de transporte.
Motoristas também estão diminuindo a atividade: 31% disseram ter limitado a condução devido aos preços dos combustíveis. Esses dados foram obtidos no Relatório de Passageiros de 2026 do Instituto de Marketing Estratégico da UCT Liberty, que entrevistou 2198 passageiros em todo o país e incluiu 100 entrevistas aprofundadas.
O relatório revelou que 45% dos motoristas tentaram reduzir os custos das viagens no último ano, e 15% mudaram para carros mais compactos e econômicos.
Os usuários de transporte público enfrentam menos opções com o aumento dos custos. Paul Egan, consultor gerente do Instituto UCT Liberty, observou que, ao contrário dos proprietários de carros particulares, que podem mudar hábitos ou mudar para um carro menor para combater a inflação, os usuários de transporte público têm muito menos alavancas de influência.
Egan acrescentou que milhões de residentes sul-africanos já vivenciam a 'pobreza de transporte', onde a mobilidade limitada impede diretamente o acesso a empregos, serviços básicos e bem-estar pessoal.
Seis em cada dez passageiros considerariam trens
O estudo mostrou que 59% dos motoristas de carros particulares mudariam para trens se os serviços fossem seguros e confiáveis. Entre os usuários de táxi e ônibus, esse número foi de 62%. No entanto, apesar do custo de propriedade e operação do carro, quase 70% dos passageiros de transporte público disseram preferir dirigir.
Segundo o estudo, essa preferência está relacionada principalmente a questões de segurança e à capacidade de controlar a viagem, e não ao status. Um usuário de transporte público disse aos pesquisadores: 'Eu quero controlar a que horas eu saio e chego, e eu quero controlar minha própria segurança.'
A segurança foi uma preocupação para todos os passageiros, independentemente do meio de transporte. Cerca de 41% dos usuários de transporte público temiam pela segurança pessoal nas estradas sul-africanas, em comparação com 33% dos motoristas. Mais 14% dos motoristas relataram casos de raiva de trânsito grave.
O coautor do relatório, Dr. James Lappeman, observou que ter um carro dá aos passageiros mais independência, mas nem sempre elimina o estresse das viagens. Ele afirmou: 'Possuir um veículo garante controle sobre o cronograma e independência, mas para muitos motoristas, esse controle vem acompanhado de ansiedade, estresse no trânsito e problemas de segurança.'
Como os sul-africanos lidam com os deslocamentos diários
Os pesquisadores também investigaram como as pessoas fazem seus trajetos diários. Eles identificaram cinco tipos de passageiros: fugitivo, recarregador, elo social, otimizador de tempo e resiliente.
O fugitivo usa música, rádio ou podcasts para abafar o barulho do tráfego e do ambiente, enquanto o recarregador prefere silêncio, reflexão ou oração. Os elos sociais usam o trajeto para interagir com outros passageiros, e os otimizadores de tempo tentam usar a viagem para planejar, organizar ou fazer chamadas telefônicas. Há também o resiliente, que se concentra em completar a viagem.
Lappeman enfatizou que os passageiros nem sempre pertencem a um único grupo. Ele observou: 'Na segunda-feira de manhã, quando a semana de trabalho começa, você pode querer ser produtivo, e na sexta-feira à tarde, quando você só quer desligar, você pode querer ser um fugitivo.'
