Meta pode ser multada pela UE após testes poloneses detectarem 122 anúncios fraudulentos
Leia mais
Olhar Digital
olhardigital.com.br

Meta pode ser multada pela UE após testes poloneses detectarem 122 anúncios fraudulentos

A Polônia solicitou à Comissão Europeia uma multa de 250 milhões de euros (aproximadamente 1,51 bilhão de reais) contra a Meta. O país alega que a empresa falhou em combater de maneira adequada os anúncios fraudulentos em suas plataformas digitais.

Este pedido foi formalizado pelo ministro de Assuntos Digitais, Krzysztof Gawkowski, após a realização de testes pela CERT Polska, que identificaram um total de 122 anúncios classificados como fraudulentos. De acordo com o ministro, 106 desses anúncios não foram removidos pela Meta.

Os achados foram apresentados por Gawkowski em uma correspondência endereçada à Comissão Europeia em 26 de agosto. A CERT Polska, que funciona como equipe nacional de resposta a incidentes de cibersegurança, conduziu os testes em questão.

Dos 122 anúncios examinados, 106, o que representa 86,8% do total, permaneceram ativos. Somente 10 foram retirados, e seis casos sequer receberam resposta da empresa. Gawkowski enfatizou que existem evidências claras de que a plataforma prioriza seus próprios interesses em detrimento do bem-estar dos usuários, permitindo assim a monetização de publicidade enganosa.

O ministro defendeu que a Meta deve ser submetida a penalidades efetivas, em vez de apenas receber notificações para aprimorar seus sistemas de proteção. Ele declarou: “O tempo de dizer ‘melhorem’ já passou; eles dizem ‘estamos melhorando’, mas os cidadãos ainda não sentem isso. Agora chegou a hora das penalidades”.

Gawkowski exigiu que a Meta implemente imediatamente ferramentas eficientes para erradicar conteúdos ilegais e fraudulentos. Entre os pontos levantados, o ministro considerou que a multa de 250 milhões de euros teria um caráter dissuasório frente ao porte das operações da Meta e aos prejuízos causados aos usuários na Polônia.

Em resposta, a Meta informou à Reuters que está empreendendo todos os esforços para coibir fraudes em suas plataformas. A empresa afirmou: “Golpistas são criminosos persistentes que usam táticas cada vez mais sofisticadas. Por isso, continuamos investindo fortemente em tecnologias e parcerias — com a indústria e as autoridades policiais — para encontrar, remover e, por fim, impedir os golpistas”.

Adicionalmente, Gawkowski manifestou a intenção de discutir este tema na próxima cúpula do G20 e buscar um posicionamento unificado de líderes europeus contra as práticas imputadas à Meta.

A empresa já teve um litígio similar na Polônia. Em 2024, o empresário Rafal Brzoska processou a Meta devido a anúncios falsos no Facebook e Instagram que utilizavam sua imagem e disseminavam informações inverídicas sobre sua esposa. Em abril deste ano, um tribunal de apelação de Varsóvia decidiu pela responsabilidade da Meta pelos anúncios veiculados em suas redes, contrariando o argumento da companhia de que não poderia ser responsabilizada pelas ações fraudulentas de seus usuários.

Popular