Governo do Senegal condena discursos xenófobos e defende acolhimento de imigrantes
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Governo do Senegal condena discursos xenófobos e defende acolhimento de imigrantes

O governo do Senegal condenou a retórica xenófoba circulante no país. Mouhamadou Makhtar Cissé declarou que existe um tipo de discurso que não representa o Senegal, pois ele tende a excluir e dividir o povo senegalês.

As declarações de Cissé foram divulgadas hoje pela imprensa local e nas redes sociais, após ele ter proferido um discurso na terça-feira na cidade sagrada de Tivaouane, durante o festival muçulmano conhecido como 'Mawlid', que celebra o nascimento do profeta Maomé.

Cissé enfatizou que não se deve recusar a entrada de imigrantes, contanto que estes cumpram as leis locais. Ele ressaltou que o povo senegalês não deve ser egoísta, citando o Islão como uma religião baseada na solidariedade e tolerância.

O orador solicitou maior abertura e um acolhimento genuíno aos recém-chegados, argumentando que a hospitalidade senegalesa, ou 'téranga', precisa ser uma realidade prática e não apenas uma representação turística. Além disso, Cissé mencionou que mais de dois milhões de senegaleses residem na diáspora global, considerando a população total do país em 19 milhões.

Em 18 de agosto, três Organizações Não Governamentais (ONGs), incluindo a Amnistia Internacional Senegal, pressionaram as autoridades senegalesas para que tomassem providências contra o crescente uso de retórica xenófoba tanto na mídia quanto nas redes sociais, direcionada às comunidades já estabelecidas no Senegal.

Diversas entidades da sociedade civil reportaram atos de intimidação e ameaças, intensificados pelas redes sociais, contra a comunidade guineense, que reside e trabalha no Senegal há várias décadas.

Anteriormente, em 17 de agosto, durante um debate realizado na Assembleia Nacional, o deputado nacionalista Tahirou Sarr questionou o ministro da Justiça. Sarr levantou preocupações sobre uma 'injustiça sofrida pelo povo senegalês' em diversos bairros de Dacar, atribuindo essa situação ao 'fluxo de mendigos estrangeiros'. O deputado também acusou esses 'estrangeiros' de estarem envolvidos em atividades como mendicidade, banditismo e prostituição.

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A diáspora guineense em Portugal realizou um protesto em Lisboa, organizado por ativistas da comunidade guineense. A ação ocorreu durante o dia no bairro de Marquês de Pombal e prosseguiu com uma marcha até à Praça dos Restauradores. Os participantes bradaram slogans como 'contra o referendo', 'contra os golpistas' e 'contra os assassinos', exibindo as bandeiras nacionais de Guiné-Bissau e do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde).

Mariano Kuade, ativista da sociedade civil guineense de 51 anos residente em Portugal, declarou à agência Lusa que eles se opõem ao referendo, que, na sua opinião, foi encomendado pelo poder político em exercício, estabelecido pela força após o golpe militar de 26 de novembro de 2025 em Guiné-Bissau.

A principal razão do protesto foi o golpe militar ocorrido no final do ano passado. Este levou à criação do Conselho de Transição Nacional e ao desenvolvimento de uma nova Constituição, que prevê o aumento dos poderes do Presidente da República e a redução do número de assentos no parlamento. Esta constituição deve ser submetida a um voto popular, que os principais partidos guineenses pretendem boicotar.

Kuade salientou que o referendo não faz sentido, pois é organizado pelos golpistas, não inclui a sociedade civil e não envolve os partidos políticos no processo de tomada de decisões sobre o futuro do país. O ativista também expressou pesar pelo banimento do voto para a diáspora guineense. Ele alertou para um processo 'sem supervisão', o que o torna 'totalmente fraudulento para lavar a situação do golpe militar'.

Simultaneamente, ele questionou o grau de envolvimento da organização regional ECOWAS (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) nesta trágica situação. Em contraste, elogiou Portugal pela 'diplomacia muito consistente, alinhada com a legalidade, respeito pela Constituição, princípios democráticos e valores', esperando que outras comunidades internacionais sigam este exemplo.

Também foi positivamente notada a decisão da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) de suspender a adesão de Guiné-Bissau à organização, o que dá esperança na restauração da ordem constitucional. No entanto, muitos manifestantes criticam a comunidade internacional pela insuficiência de ações.

O golpe ocorreu pouco antes da data prevista para a divulgação dos resultados das eleições gerais, realizadas a 23 de novembro de 2025. Nestas eleições, o então Presidente Umaro Sissoco Embalo concorreu à reeleição, embora a oposição o acuse de conluio com o Comando Militar Supremo autoproclamado e de simulação de detenção temporária.

Como presidente do parlamento, o ex-primeiro-ministro e líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, foi detido e depois libertado para tratamento em Portugal, mas tem proibido de exercer atividade política. Mariama Seidy Dias, presidente da comissão política do PAIGC em Portugal, de 51 anos, que também participou no protesto, acusou os militares guineenses de se subordinarem à revolta envolvendo Embalo. Ela considera que o referendo é parte de um 'golpe palaciano', pois promove um processo 'não inclusivo', deixando os partidos políticos e a diáspora guineense 'simplesmente de lado'.

Dias relatou casos de compra de boletins de voto e exclusão de potenciais oponentes das listas para aprovação da emenda constitucional. Ela afirmou que é isso que os leva às ruas, pois exigem uma Guiné livre e independente. Atualmente, os guineenses estão 'silenciosos', e aqueles que regressam ao país são forçados a calar-se sob ameaça de perseguição, agressão ou morte, como aconteceu em casos recentes motivados pela política.

A marcha atraiu a atenção de guineenses residentes em França e Reino Unido, incluindo Dajlo Ka Dedspo, pseudónimo usado por eles na luta, que remete aos antigos partisanos do PAIGC e inclui as iniciais de Domingos Simões Pereira. Este especialista em TI de 55 anos de Londres, que viajou especificamente para o protesto, declarou que também é um 'partidário' e pretende derrubar o governo em Guiné-Bissau. Ele acredita que o apelo ao boicote funcionará, pois 'o povo está cansado' e 'o povo sofreu' em Guiné-Bissau, um país assolado pelo tráfico de drogas, onde 'não há direito à vida humana'.

Ele também se opôs ao 'presidente golpista' e aos governantes de Guiné-Bissau, uma vez que não são vencedores das eleições, afirmando que Fernando Dias da Costa é o 'Presidente legítimo'. Além disso, destacou o contraste entre a vida em Londres e a ausência de tudo em Guiné-Bissau. O referendo nacional sobre a nova Constituição ocorrerá cerca de três meses antes das novas eleições presidenciais e legislativas, marcadas para 6 de dezembro. Nos últimos dias, o PAIGC, o Partido da Renovação Social (PRS) e a Convergência da Nação pela Liberdade e Desenvolvimento de Guiné-Bissau (COLIDE-GB) apelaram aos seus apoiantes para boicotarem a consulta proposta pelo Conselho de Transição Nacional.

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