De acordo com dados dos órgãos de saúde, a proporção de crianças menores de um ano que não foram vacinadas aumentou de 12,1% em 2017 para 36,3% no período de janeiro a abril de 2026, o que significa o triplicamento do número de bebês sem nenhuma vacina em menos de uma década.
O Ministério da Saúde alerta que essa tendência coloca «centenas de milhares de bebês em risco de contrair doenças potencialmente fatais».
A vice-diretora geral do Ministério, Nonhlanhla Fikile Ndlovu, explicou à agência France-Presse (AFP) que a principal razão para o aumento é a falta de informação. Ela enfatizou que a cobertura da mídia pode desempenhar um papel importante na salvação de vidas e no combate à desinformação nas redes sociais.
Ndlovu acrescentou que a retórica antivacina se intensificou durante a pandemia de Covid-19, mas a queda na cobertura vacinal foi observada antes desse período.
O Ministério registrou 3462 casos confirmados laboratorialmente de sarampo desde janeiro de 2026, o que excede significativamente os 2756 casos confirmados registrados em todo o ano de 2025. Nonhlanhla Fikile Ndlovu apelou para o aumento da conscientização entre pais jovens, visto que a nova geração, criada em uma era de raridade dessas doenças, agora está se tornando pai e mãe.
Segundo os órgãos de saúde, a maioria dos casos de sarampo (70,9%) afeta crianças com menos de 14 anos e está diretamente relacionada ao baixo nível de vacinação. O Ministério declarou que a redução nos indicadores de vacinação de rotina desencadeou uma emergência de saúde pública, caracterizada por surtos de doenças infantis.
Além disso, quase 400 casos de rubéola foram registrados, bem como casos de tosse convulsa e casos esporádicos de difteria, o que, na opinião do ministério, «evidencia lacunas na cobertura de vacinas de reforço e na vigilância de doenças».
