A Meta concluiu um acordo com a maioria dos estados dos Estados Unidos para finalizar acusações de que seus aplicativos, Facebook e Instagram, foram intencionalmente desenhados para causar dependência em crianças. Conforme o pacto, a empresa deverá pagar um montante de até US$ 18 bilhões (equivalente a cerca de R$ 93 bilhões) ao longo de dez anos e implementar novas restrições destinadas aos adolescentes.
Embora o valor seja significativo, ele não afeta os dois elementos centrais que geram a receita da companhia: os feeds personalizados e a publicidade segmentada. Para os investidores, a possibilidade de evitar um processo judicial demorado parece ter sido um fator mais decisivo do que o montante da indenização.
Este acordo põe fim à principal disputa legal da Meta nos EUA sem impor modificações nestes mecanismos operacionais. A própria Meta também negou qualquer prática irregular. Um risco adicional era que um julgamento pudesse revelar documentos internos detalhando como a empresa tratava os usuários jovens, um obstáculo regulatório que o acordo elimina, segundo analistas e especialistas jurídicos consultados pela Reuters.
As ações da Meta registraram uma alta de aproximadamente 1% após o anúncio. Anteriormente ao julgamento, os estados pleiteavam penalidades que chegavam a US$ 1,4 trilhão (aproximadamente R$ 7,21 trilhões).
Essa decisão reflete uma escolha corporativa, pois o custo de prosseguir com o litígio e sofrer uma derrota seria superior ao pagamento de pouco mais de US$ 1 bilhão anualmente durante uma década.
Parte do acordo está condicionada às ações de outras redes sociais. Cerca de 30% do pagamento e certas restrições para adolescentes só entrarão em vigor caso TikTok, YouTube e Snapchat concordem com termos similares, o que pode gerar uma pressão indireta sobre essas concorrentes. Eric Goldman, professor da Santa Clara University School of Law, comentou que não consegue imaginar que os rivais da Meta fiquem satisfeitos com as medidas estabelecidas.
O mercado demonstrou reações variadas ao acordo. Ele estipula limites de uso das plataformas para menores de idade e alterações em certos recursos, incluindo a remoção da exibição da contagem de curtidas nas publicações. Documentos internos divulgados por vazamentos e processos judiciais sugeriram que a retirada dessa contagem poderia diminuir a base diária de usuários da Meta em cerca de 0,09%.
A empresa já estava sob investigação em diversos países devido a alegações ligadas ao uso de suas plataformas por jovens, sendo também questionada sobre interações sexualizadas entre chatbots de inteligência artificial e crianças. Contudo, nem todos os processos nos EUA foram cobertos pelo acordo; Novo México e Flórida permaneceram de fora.
Na Europa, a Comissão Europeia ameaça aplicar multas à Meta após uma avaliação preliminar indicar que a empresa infringiu uma legislação de moderação de conteúdo de 2022. James Grimmelmann, professor de direito e informação digital da Cornell University, ressaltou que, embora o julgamento de referência tenha terminado, os processos contra a Meta estão apenas começando, concluindo que o acordo resolve uma das maiores questões jurídicas da empresa sem interferir no funcionamento essencial do seu negócio.
