Escassez de centros e rastreamento dificultam a resposta à epidemia de Ebola na República Democrática do Congo
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Escassez de centros e rastreamento dificultam a resposta à epidemia de Ebola na República Democrática do Congo

O Instituto Nacional de Saúde Pública congolês (INSP) informou que o enfrentamento da epidemia de Ebola encontra obstáculos significativos, como a limitada capacidade de acolhimento e a carência de centros de tratamento para Ebola em certas unidades de saúde. Além disso, os postos de controlo e de entrada apresentam funcionamento inadequado nas áreas afetadas, atribuído à desmotivação dos agentes locais por não receberem remuneração.

As autoridades da RDCongo emitiram um alerta sobre o monitoramento deficiente dos contatos de casos confirmados, especialmente na província de Bas-Uélé (Norte), devido à falta de equipes especializadas para realizar essas atividades.

De acordo com o relatório mais recente do INSP, foram registrados 5.713 casos confirmados e 2.744 óbitos relacionados ao Ebola, resultando em uma taxa de mortalidade de 48%. A taxa de rastreamento se mantém em 84,6%, ficando aquém da meta estabelecida de 85%. No cenário atual, 1.269 indivíduos se recuperaram da doença, enquanto 770 permanecem em isolamento ou internados nos centros de tratamento.

A disseminação do vírus não se restringe a Bas-Uélé; ela alcançou outras cinco províncias: Ituri, considerada o epicentro da epidemia no leste; Tshopo, localizada no centro-norte; Haut-Uélé; Kivu do Norte; e Kivu do Sul (leste), embora esta última não registre novos casos confirmados há mais de 80 dias.

Na última sexta-feira, o país africano recebeu as primeiras 16.520 doses da vacina Ervebo. Esta vacina foi inicialmente desenvolvida contra a variante Zaire do Ebola, mas demonstrou, em estudos com animais, sinais de potencial eficácia contra a variante Bundibugyo, que é a responsável pela epidemia vigente.

Embora atualmente não existam terapias específicas para esta variante, a Organização Mundial da Saúde (OMS) comunicou que outras duas vacinas voltadas ao combate à estirpe Bundibugyo estão na Fase 1 de ensaios clínicos em seres humanos e foram consideradas seguras, apesar de seu desenvolvimento poder demandar vários meses.

Esta epidemia configura-se como a segunda mais letal na história, ultrapassando o surto ocorrido na mesma região congolesa entre 2018 e 2020. Contudo, ainda não atinge a gravidade máxima registrada, que provocou aproximadamente 11 mil mortes e 28 mil infecções na África Ocidental durante o período de 2014 a 2016.

Após ser notificada na província de Ituri (Leste), a epidemia se expandiu para o Uganda. Lá, a OMS declarou o fim do surto na quarta-feira, após contabilizar 20 infecções confirmadas, sendo 15 delas classificadas como importadas da RDCongo, das quais duas pessoas faleceram.

O vírus do Ebola é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados e provoca febre hemorrágica severa, vômitos, diarreia e sangramentos internos.

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A epidemia do vírus Ebola na República Democrática do Congo (RDCongo) expandiu-se para uma sexta província, Bas-Uele, após o registro de um óbito, conforme comunicou o diretor-geral dos CDC África. O responsável pelos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças de África, Jean Kaseya, relatou que o indivíduo infectado havia viajado de Isiro, na província de Haut-Uele, até Buta, a capital de Bas-Uele, onde faleceu.

A situação no leste da RDCongo, que apresenta o ritmo de crescimento mais acelerado até o momento, está prestes a superar o surto mais fatal da história, que ocorreu há mais de dez anos e resultou em mais de 11.000 mortes, informou a Organização Mundial de Saúde (OMS) na quarta-feira.

Desde que a epidemia foi oficialmente declarada na RDCongo em maio, o vírus Ebola já provocou a morte de 2.128 pessoas, em meio a mais de 4.566 casos confirmados, de acordo com os dados mais recentes divulgados pelo Governo congolês.

Este número de falecimentos foi alcançado quase três vezes mais rapidamente do que durante o surto de Ebola de 2014-2016 na África Ocidental, considerado o pior da história. A disseminação da doença ocorre num contexto extremamente desafiador, marcado por greves de profissionais de saúde sem pagamento, ameaças de grupos rebeldes, descontentamento de comunidades já traumatizadas e a circulação de desinformação que nega a existência do Ebola.

Até o presente momento, seis das vinte e seis províncias do Congo foram afetadas. Paralelamente, os profissionais de saúde do Centro de Tratamento de Nizi, localizado na província de Ituri — uma das mais impactadas da região —, iniciaram uma greve no dia em questão, levando ao fechamento temporário do centro, após alegarem não receber salários há três meses.

Mohamed Yakub Janabi, diretor regional da OMS para África, comentou esta semana: «Estamos a perseguir o vírus; [mas] o vírus está à nossa frente». Segundo informações recentes fornecidas pela OMS na segunda-feira, o vírus começou a circular no leste da RDCongo em fevereiro, embora uma pesquisa publicada na revista «Science» no final de julho tenha sugerido que as primeiras infecções poderiam ter ocorrido ainda em janeiro.

Após a declaração da epidemia em Ituri, o vírus se espalhou para a vizinha Uganda, país que anunciou estar «livre do Ebola» em 28 de julho, após registrar 20 casos confirmados, incluindo 15 casos trazidos da RDCongo, entre os quais houve duas mortes.

A epidemia está ligada à estirpe de Bundibugyo, cuja taxa de mortalidade varia entre 30% e 50%, e para a qual a OMS aponta a ausência de vacina autorizada ou tratamento específico. O vírus Ebola é transmitido através do contato direto com fluidos corporais de seres humanos ou animais infectados, causando febre hemorrágica severa, vômitos, diarreia e sangramentos internos.

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