O Ministro da Energia e Eletricidade da África do Sul, Kgosiyenso Ramkgoppa, apresentou a Política de Preços de Eletricidade Revisada. Esta política propõe modificar a estrutura e a regulamentação das tarifas de eletricidade, o que pode alterar significativamente a forma como os agregados familiares sul-africanos pagam pelos serviços públicos.
As mudanças propostas colocam em primeiro plano a acessibilidade e as condições para consumidores de baixa renda. A política foi apresentada por Ramkgoppa na terça-feira, 18 de agosto, depois que o Gabinete aprovou sua publicação para discussão pública em julho. Este documento atualiza os parâmetros estabelecidos em 2008 e faz ajustes no sistema de tarifação e regulamentação de energia.
As propostas incluem a divisão dos custos de eletricidade em etapas: geração, transmissão, distribuição e varejo. Além disso, planeia-se reforçar a regulamentação de preços, tarifas e taxas. O governo afirma que estas medidas visam aumentar a transparência e prevenir um fardo injustificado aos consumidores causado pela ineficiência no sistema energético.
Ramkgoppa observou que os preços da eletricidade aumentaram mais de 900% desde 2007, enquanto a taxa de inflação no mesmo período aumentou cerca de 150%. Ao descrever as reformas propostas, ele enfatizou a importância de resolver a questão do custo da eletricidade.
A política também inclui medidas de apoio a grupos vulneráveis, nomeadamente o aumento do volume de eletricidade básica gratuita para agregados familiares necessitados que cumpram os critérios. No entanto, o analista de energia Chris Yelland questionou o mecanismo de financiamento deste subsídio alargado e se uma maior transparência tarifária levará necessariamente à redução dos preços para os consumidores.
Yelland considera que a divisão dos componentes tarifários proporcionará maior clareza, mas por si só não diminuirá o custo total. Ele se pergunta se as reformas propostas mudarão o custo fundamental da eletricidade.
O especialista em energia, Professor Wally Padayachii, ofereceu uma avaliação mais otimista das mudanças. Ele apontou que historicamente a ineficiência no sistema energético refletiu-se nos preços pagos pelos usuários finais. Padayachii afirmou que as perdas técnicas e não técnicas estão relacionadas com a ineficiência na Eskom e nos municípios, o que tradicionalmente era transferido para o consumidor final.
Ele prevê que, se esta política for implementada em conjunto, os preços podem diminuir. A política proposta também garantirá maior previsibilidade nos custos futuros de eletricidade, uma vez que o Regulador Nacional de Energia da África do Sul deverá publicar uma previsão de preços de eletricidade para 10 anos. O governo acredita que isso dará mais confiança aos consumidores, empresas e investidores no planeamento.
Outra mudança proposta diz respeito à contabilização dos custos relacionados com perdas de eletricidade e dívidas municipais não pagas. Ramkgoppa salientou que os consumidores que pagam as suas contas não devem arcar com os custos daqueles clientes que não pagam. Ele esclareceu que a tarifa atual cobre entre 1% e 2,5% a incapacidade da Eskom de cobrar dívidas, mas isso não é aceitável no âmbito da nova política.
Estas reformas ocorrem num contexto em que municípios e distribuidores de eletricidade continuam a enfrentar dificuldades financeiras, perdas de energia e dívidas não pagas. O Gabinete também informou que a política revisada visa consolidar a base regulamentar em toda a cadeia de valor da eletricidade e alinhar a precificação com as mudanças de mercado, incluindo a separação da Eskom e a implementação da Lei de Emendas à Regulamentação de Energia. Atualmente, a política permanece apenas como uma proposta e está em fase de comentários públicos.
