Seis jogos de raciocínio que estimulam o cérebro e promovem a reserva cognitiva
Leia mais
Olhar Digital
olhardigital.com.br

Seis jogos de raciocínio que estimulam o cérebro e promovem a reserva cognitiva

Dedicar alguns minutos diários para resolver Sudoku, jogar Paciência ou decifrar um mapa em Batalha Naval é um hábito comum que serve tanto como uma pausa na rotina quanto como um estimulante mental que mantém a atenção aguçada.

É fundamental ressaltar que esses desafios não oferecem uma proteção mágica contra condições como o Alzheimer. Contudo, eles são capazes de ativar circuitos cerebrais específicos, liberar substâncias químicas cruciais e auxiliar na construção de uma reserva cognitiva.

Diferentemente do que se possa pensar, a resolução de um quebra-cabeça não exercita o cérebro por completo; o efeito se manifesta nos circuitos neurais ativados por cada tipo de atividade. Durante o engajamento, ocorrem mudanças sutis na substância cinzenta, resultando na liberação de neurotransmissores como a dopamina, associada à motivação, e a acetilcolina, ligada ao foco.

O neurologista Sérgio Jordy, diretor do Centro Médico Sinapse e médico da Rede D’Or, afirmou em entrevista ao Olhar Digital que «cada habilidade nova ou circuito estimulado vai formar novas conexões».

Pesquisas recentes corroboram os benefícios desse estímulo direcionado. Um estudo realizado pela Universidade McGill, no Canadá, demonstrou que indivíduos idosos que praticaram jogos digitais por dez semanas conseguiram restaurar a saúde da rede colinérgica, que está ligada à memória, a um nível comparável ao de uma pessoa dez anos mais jovem.

Adicionalmente, a análise de dados do estudo de longo prazo ACTIVE indicou que os treinamentos cognitivos focados contribuem para a manutenção da agilidade mental ao longo dos anos. O principal benefício reside na formação dessa reserva cognitiva, que representa a aptidão do cérebro para encontrar soluções alternativas para problemas cotidianos.

O doutor Jordy reiterou que «não temos uma comprovação de que o jogo vá prevenir uma doença neurodegenerativa como o Alzheimer, por exemplo», esclarecendo que o ganho real está na melhoria do desempenho nas tarefas treinadas e no aumento da autonomia e preservação da agilidade mental.

Para que o cérebro continue a se adaptar, um processo denominado neuroplasticidade, a atividade deve demandar um certo grau de esforço do participante. Se a tarefa for repetida até se tornar excessivamente simples, a estimulação diminui drasticamente.

Por essa razão, é essencial variar o tipo de desafio ou aumentar a complexidade para manter o cérebro ativo. O especialista aconselhou que «o importante não é só trocar o jogo, mas sim administrar a dificuldade. Você também pode corrigir erros e criar estratégias», alertando contra a troca compulsiva entre jogos.

A recomendação prática é buscar um equilíbrio, evitando sessões extenuantes que causem estresse mental. Sugere-se praticar de três a cinco vezes por semana, em sessões de duração de vinte a trinta minutos. O doutor Jordy complementou que isso deve ser integrado a uma rotina que inclua atividade física, interações sociais, sono adequado e controle de doenças cardiovasculares, pois «essas coisas estão sempre juntas».

Assim, os jogos de raciocínio funcionam como valiosos aliados, mas sua eficácia máxima depende de um estilo de vida saudável. Alternar os desafios é a maneira ideal de exercitar as capacidades mentais sem permitir que o cérebro caia na monotonia, visto que cada modalidade ativa circuitos neurais distintos.

Popular