Arquitetura residencial em Jeoji Oreum considera a relação entre natureza, memória e tempo
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Arquitetura residencial em Jeoji Oreum considera a relação entre natureza, memória e tempo

A equipe de projeto concebeu a casa considerando aspectos que vão além da mera aparência física do local e de seu entorno imediato. Foi levada em conta a dimensão e a orientação do Jeoji Oreum, bem como a trajetória da luz solar ao longo do dia. Além disso, analisou-se como as pessoas viveram e cultivaram aquela terra ao longo do tempo, e o significado que um oreum — um dos cones vulcânicos típicos de Jeju — possuía na paisagem da ilha.

Para os arquitetos, um local engloba não somente o solo e o cenário, mas também as vivências, as lembranças e o tempo acumulados nele. O Jeoji Oreum apresenta-se belo, mas por vezes carrega uma sensação de inquietação. Caminhos sinuosos percorrem árvores e áreas abertas de um lado, enquanto, na encosta oposta, estão dispostas sepulturas. Essas visões são comuns em Jeju, onde cemitérios antigos e túmulos podem ser encontrados entre pomares e campos.

Dessa forma, o oreum transcende a função de mero elemento pitoresco, configurando-se como uma paisagem que é simultaneamente pacífica e bela, mas também marcada pela memória e pela morte. O desafio do projeto era determinar como alguém poderia se sentir confortável diante de uma presença tão imensa e ambivalente.

O terreno em questão resultou da divisão de uma porção de pomar que havia sido cultivado por muitos anos por um casal de idosos, que desejava edificar uma residência para sua filha naquela terra que haviam zelado. Por essa razão, a casa precisava harmonizar-se entre a vasta escala temporal natural do oreum e a paisagem viva do cultivo.

Em vez de incorporar a totalidade dessa paisagem grandiosa para dentro da edificação, optou-se por criar um refúgio íntimo e sereno em contraste com ela. A casa se organiza em torno de um pátio central, e pequenos jardins dispostos nas diversas fachadas proporcionam a cada ambiente uma conexão particular com o exterior. Em direção ao oreum, uma ampla abertura enquadrada por uma porta igualmente grande permite que a paisagem seja apresentada ou obscurecida de maneira seletiva.

Elementos como uma parede de concreto, beirais profundos, uma sala de estar rebaixada e uma parede oblíqua de tijolos posicionada em frente a uma grande janela atuam como mediadores da luz, das vistas e da distância entre o espaço interno e o externo. Os ambientes foram planejados para acompanhar tanto o movimento do sol quanto os ritmos da rotina diária: a luz matinal vinda do leste ilumina o quarto e o banheiro; a luz quente do sul preenche as áreas sociais durante o dia; e a luz suave do oeste se projeta no terraço ao anoitecer.

Desde o oreum até o pomar, e deste até o jardim, a escala da natureza gradualmente se aproxima da escala humana. O projeto representa uma tentativa de interpretar essas relações existentes — entre a natureza e as pessoas, entre a paisagem e a memória, e entre a luz e o tempo — para estabelecer um pequeno universo onde a vida cotidiana possa se desenvolver em conforto entre esses elementos.

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