Hong Kong permite que liquidatários da Evergrande processem a rede global da PwC
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Hong Kong permite que liquidatários da Evergrande processem a rede global da PwC

Uma decisão proferida na quarta-feira em Hong Kong autoriza os liquidatários da Evergrande a moverem ações contra a PwC International, a entidade que gere a rede mundial da consultora, bem como contra as suas filiais localizadas em Hong Kong e na China continental, que foram responsáveis pela auditoria das contas da Evergrande. Esta notícia foi reportada pelo jornal Financial Times (FT).

Os liquidatários reivindicam cerca de 8,4 mil milhões de dólares (equivalente a 7,2 mil milhões de euros) em compensações das três entidades. Tal pedido surge após diversos reguladores determinarem que os auditores da PwC em Hong Kong e na China continental falharam em cumprir os padrões profissionais ao endossar as demonstrações financeiras da promotora imobiliária.

Patrick Fung, juiz adjunto do Tribunal Superior de Hong Kong, declarou que é minimamente justificável que a PwC International tivesse um dever de diligência para com a Evergrande. Ele também ressaltou a importância da divulgação de documentos e das respostas a interrogações, acreditando que isso ajudará a clarificar o caso.

Esta determinação constitui uma vitória para Eddie Middleton e Tiffany Wong, ambos da consultora Alvarez & Marsal, que foram nomeados liquidatários da Evergrande. Segundo o FT, estes dois responsáveis direcionaram grande parte dos seus esforços judiciais para responsabilizar a PwC, devido às dificuldades encontradas na recuperação de ativos da Evergrande na China continental, que seriam usados para pagar aos credores.

A Evergrande, que já fora uma das maiores construtoras imobiliárias da China, entrou em incumprimento em 2021, acumulando aproximadamente 300 mil milhões de dólares (257 mil milhões de euros) em dívidas. Posteriormente, as autoridades chinesas concluíram que a empresa havia inflacionado fraudulentamente as receitas nos anos que antecederam o seu colapso.

Os liquidatários alegam que a PwC International deve ser responsabilizada pelas falhas das firmas da rede em Hong Kong e na China continental, pois estas permitiram à Evergrande distribuir cerca de seis mil milhões de dólares (5,1 mil milhões de euros) em dividendos entre 2017 e 2020, mesmo estando a empresa em má situação financeira. Especificamente, os liquidatários exigem 5,6 mil milhões de dólares (4,8 mil milhões de euros) apenas da PwC International.

Esta decisão pode ter repercussões no modelo operacional adotado pelas quatro maiores empresas de auditoria globais — PwC, Deloitte, EY e KPMG —, conhecidas como 'Big Four'. Ao contrário das corporações multinacionais convencionais, estas empresas operam através de redes formadas por firmas nacionais legalmente independentes, que são coordenadas por uma entidade global responsável pela marca e pela padronização. Essa estrutura possibilita o cumprimento de diferentes regimes de auditoria nacionais e visa também impedir que cada firma seja responsabilizada legalmente por erros cometidos por outros membros da rede em outros países.

No entanto, a deliberação do tribunal de Hong Kong abre a possibilidade de os riscos financeiros e legais ligados ao caso Evergrande se estenderem ao restante da rede da PwC. O FT aponta que as maiores firmas nacionais, incluindo as dos Estados Unidos e do Reino Unido, financiam grande parte dos custos da PwC International, que geralmente não gera lucros nem possui ativos substanciais.

A PwC International defendeu que não deveria participar no processo, argumentando que a Evergrande nunca foi sua cliente. Um porta-voz da rede global da PwC, citado pelo FT, afirmou que a empresa discorda da decisão e está a 'avaliar as opções jurídicas'. Este porta-voz declarou que a PwC International é a entidade coordenadora da rede PwC e nunca prestou serviços ou manteve qualquer relação com a Evergrande, expressando confiança de que as acusações contra ela não têm fundamento.

Anteriormente, em abril, a PwC Hong Kong aceitou pagar 1,3 mil milhões de dólares de Hong Kong (142 milhões de euros) para resolver litígios relacionados com a Evergrande junto dos reguladores locais. Na China continental, a filial da PwC efetuou um pagamento de multa de 441 milhões de yuan (56 milhões de euros) em 2024, após o Ministério das Finanças chinês concluir que funcionários da consultora haviam 'ocultado ou até tolerado' a fraude na Evergrande.

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