3462 casos de sarampo registrados na África do Sul devido à queda nas taxas de vacinação infantil
Leia mais
IOL
iol.co.za

3462 casos de sarampo registrados na África do Sul devido à queda nas taxas de vacinação infantil

Na África do Sul, foram registrados 3462 casos confirmados laboratorialmente de sarampo desde janeiro de 2026. A maioria desses casos afeta crianças entre um e catorze anos, pois as taxas de vacinação continuam a diminuir.

O Ministério da Saúde divulgou esta informação em um comunicado de imprensa na quarta-feira. Ele apelou urgentemente para ações imediatas para interromper a queda na cobertura de imunização e prevenir surtos de doenças evitáveis por vacinas, o que poderia anular décadas de avanços em saúde pública, incluindo a significativa redução da mortalidade infantil e pediátrica alcançada desde meados da década de 2000.

Aumento dos casos de sarampo em meio à queda das taxas de vacinação

Um porta-voz do Ministério da Saúde, Foster Mohale, relatou que a proporção de bebês sem nenhuma vacina — ou seja, crianças menores de um ano — aumentou de 12,1% em 2017 para alarmantes 36,3% no período de janeiro a abril de 2026. Ele observou que isso efetivamente triplica o número de crianças totalmente não vacinadas, deixando centenas de milhares de bebês em risco de doenças potencialmente fatais.

Mohale também afirmou que a cobertura de imunização de rotina caiu drasticamente em todos os 52 distritos do país. Ele especificou que a cobertura da primeira dose entre crianças menores de um ano caiu de 87% em 2021 para 67% em 2025, e a cobertura da vacina hexavalente (6 em 1) para bebês diminuiu de 87% para 60,5% no mesmo período.

Segundo Mohale, com as taxas atuais, a África do Sul dificilmente atingirá o limiar crítico de 90% de cobertura de imunização infantil estabelecido pela Organização Mundial da Saúde. Ele aconselhou pais e famílias a procurar instalações médicas para vacinar seus filhos não vacinados, caso medidas urgentes não sejam tomadas.

As consequências da queda na cobertura incluem o ressurgimento de doenças graves evitáveis por vacinas, o enfraquecimento da imunidade coletiva ou de rebanho, bem como o aumento dos níveis de incapacidade e mortalidade a longo prazo entre bebês. Mohale enfatizou que este não é mais um risco teórico, pois há surtos ativos em vários províncias do país.

Ele reiterou que, desde o início de 2026, 3462 casos confirmados laboratorialmente de sarampo foram registrados na África do Sul, com surtos observados no Cabo Ocidental, Free State, KwaZulu-Natal e Cabo Norte, além de outras províncias. Mohale acrescentou que a grande maioria dos casos (70,9%) afeta crianças de 1 a 14 anos, o que está diretamente ligado ao baixo nível de imunização.

Outros problemas de saúde pública

O Ministério também destacou a importância de proteger os sul-africanos contra a poliomielite, dado o status do país como livre de pólio. Isso ocorre apesar da recente detecção de cepas importadas do vírus da poliomielite em águas residuais em Cidade do Cabo. Mohale lembrou que a África do Sul mantém o status de livre de pólio desde 2014.

Além disso, foram identificados casos esporádicos de difteria — uma grave infecção bacteriana do nariz e garganta que pode causar dificuldade respiratória, principalmente no Cabo Ocidental, indicando lacunas na cobertura de doses de reforço e vigilância epidemiológica. Casos de coqueluche também foram detectados em várias províncias, afetando principalmente bebês com menos de seis meses, muito pequenos para vacinação completa.

Mohale observou que esse cenário demonstra a incapacidade da imunidade de rebanho de proteger os mais vulneráveis. Quase 400 casos de rubéola (parotidite alemã) foram registrados, principalmente entre crianças de 1 a 14 anos em diferentes partes do país. Isso cria sérios riscos para mulheres grávidas devido ao potencial síndrome de rubéola congênita (SRC).

Apelo a ações coordenadas

Mohale concluiu que a queda nos indicadores de imunização de rotina desencadeou uma emergência de saúde pública caracterizada por surtos de doenças infantis. Ele declarou que a resolução deste problema exige ações coordenadas de todos os setores da sociedade, com foco especial em envolver famílias e comunidades com os menores níveis de vacinação.

Ele alertou que crianças não vacinadas podem colocar em risco bebês e pessoas com sistema imunológico enfraquecido que não podem ser vacinadas, e a baixa cobertura mina a detecção precoce e a resposta rápida às ameaças emergentes. O Ministério da Saúde prioriza uma resposta nacional imediata e coordenada, incluindo campanhas de recuperação de vacinação direcionadas a crianças que perderam doses e grupos com imunização insuficiente em todos os distritos.

A população é fortemente aconselhada a usar plataformas governamentais oficiais para obter informações confiáveis sobre vacinação e ignorar alegações não verificadas e desinformação disseminadas nas redes sociais. O Ministério garante estoques suficientes de vacinas e mantém a infraestrutura de cadeia de frio em todo o país para que nenhuma criança fique sem ajuda devido a problemas de acesso. Todas as vacinas usadas na África do Sul são avaliadas e registradas pela South African Health Products Regulatory Authority (SAHPRA), o que confirma sua segurança e eficácia.

Pais, cuidadores e comunidades são instados a proteger seus filhos contra doenças evitáveis por vacinas, visitando a instalação médica ou provedor de serviços mais próximo para imunização de rotina e de recuperação. Ele acrescentou que surtos de doenças podem prejudicar o desenvolvimento precoce das crianças devido a longos períodos de ausência na escola e à redução do acesso à aprendizagem estruturada, o que pode afetar negativamente o bem-estar mental. Além disso, as famílias carregam um fardo significativo: os pais podem ser forçados a ficar em casa quando as crianças são excluídas da escola ou ficam doentes, levando à perda de salários e instabilidade no emprego. Ele concluiu afirmando que a proteção de cada criança é uma responsabilidade coletiva.

Popular