A Ministra da Defesa e Veteranos de Assuntos Militares, Angie Motshega, alertou que seu departamento enfrenta um estouro orçamentário previsto de 3,3 bilhões de randes em compensações aos funcionários. Ela enfatizou que o déficit de financiamento é uma das ameaças mais sérias ao departamento e pode colocá-lo em risco de colapso.
Motshega fez essas declarações durante perguntas orais de parlamentares no Conselho Nacional Provincial (NCOP) na quarta-feira, relativas às despesas planejadas do departamento com pagamentos aos funcionários. Ela informou que no ano fiscal anterior, o departamento já havia excedido o orçamento em cerca de 3 bilhões de randes, e sem intervenção, espera-se que o estouro atinja 4 bilhões de randes em 2027/28 e 4,6 bilhões de randes em 2028/29.
O departamento desenvolveu medidas para reduzir os custos, incluindo incentivos para funcionários aptos à reforma se aposentarem mais cedo e a oferta de incentivos para demissão. No entanto, Motshega observou que essas medidas não resolverão o problema principal, que ela associa ao subfinanciamento de muitos anos.
Subfinanciamento de Longa Data
Motshega declarou que o departamento levantou repetidamente a questão da falta de financiamento junto ao Tesouro, Gabinete Ministerial e Parlamento. Ela esclareceu que a redução do número de funcionários não resolverá necessariamente o problema, pois as Forças de Defesa (SANDF) ainda precisam de pessoal jovem para manter suas capacidades. "Não estamos recrutando pessoas no ritmo que gostaríamos", disse ela.
Atualmente, o departamento contrata cerca de 5000 pessoas a cada dois anos, o que é insuficiente para atender às necessidades das forças de defesa. Portanto, o departamento está considerando um conjunto de medidas que inclui a limitação de recrutamento e o incentivo aos funcionários a se aposentarem no momento oportuno. No entanto, a decisão final depende se o Parlamento e o Gabinete alocarão fundos suficientes ao Departamento de Defesa. "Nós não nos damos dinheiro. Vivemos com o que recebemos".
Respondendo à pergunta sobre se altos funcionários e generais contribuíram para os problemas financeiros, Motshega afirmou não estar ciente de salários inflacionados entre os generais. "O que chamou minha atenção e do que sou testemunha é que os recursos alocados às forças de defesa não correspondem ao que elas deveriam fazer".
Ela apontou o estado do equipamento e da infraestrutura das SANDF, observando que aviões não estão operacionais, navios foram danificados e a infraestrutura está em declínio. "Isso não tem relação com os generais. Isso está relacionado ao subfinanciamento".
Motshega enfatizou que as consequências do subfinanciamento são visíveis em toda a força de defesa, e o departamento não poderá cumprir suas obrigações sem recursos adequados. O departamento levantou essa questão perante o governo e o Parlamento, e a lacuna de financiamento não pode ser simplesmente fechada por meio de medidas de corte de custos. Ela também destacou a necessidade de equilibrar os esforços de contenção de custos com a necessidade de continuar recrutando jovens para garantir a sustentabilidade das forças de defesa, expressando esperança de apoio a esses esforços por parte do Parlamento e do NCOP para preencher as lacunas nas capacidades das forças de defesa.
