O que é o Grande Atrator: uma massa colossal que atrai a Via Láctea
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O que é o Grande Atrator: uma massa colossal que atrai a Via Láctea

Existe uma força colossal que atrai a Via Láctea e todo o Grupo Local — um conjunto de cerca de cem galáxias, incluindo a nossa e a vizinha Andrômeda — a uma velocidade de aproximadamente 600 quilômetros por segundo. Os astrônomos nomearam essa força como o Grande Atrator, e ela está escondida profundamente atrás do disco da nossa própria galáxia.

Este atrator não é um buraco negro gigante ou um objeto único, mas sim um aglomerado de massa composto por galáxias, gás e matéria escura. A matéria escura é uma forma de substância que não emite luz, mas cuja gravidade é sentida através da influência que exerce sobre tudo ao redor, forte o suficiente para alterar o movimento do Sol e da Terra juntamente com o resto da galáxia.

O Grande Atrator está localizado na direção da constelação de Centauro, mas encontra-se atrás do plano da Via Láctea, na chamada Zona de Ocultação. Esta área do céu está obscurecida pelo próprio disco da nossa galáxia: uma grande quantidade de estrelas, gás e poeira impede que os telescópios ópticos vejam o que está atrás dele.

Para contornar esse obstáculo, os astrônomos utilizam telescópios de rádio e raios-X, capazes de penetrar nesta 'cortina' cósmica e mapear indiretamente as galáxias ocultas.

O fenômeno foi descoberto pela primeira vez nas décadas de 1970 e 1980 por um grupo de astrônomos apelidado de 'Sete Samurais'. Eles notaram que centenas de galáxias elípticas se moviam numa direção com uma velocidade que a simples expansão do Universo não conseguia explicar.

Décadas depois, em 2014, uma equipe liderada pelo astrônomo R. Brent Tully modelou uma estrutura ainda maior — o superaglomerado de Laniakea, que significa 'céu infinito' em havaiano. O superaglomerado é uma união de muitos aglomerados de galáxias ligados pela gravidade.

Laniakea tem um diâmetro de cerca de 500 milhões de anos-luz e inclui aproximadamente 100 mil galáxias, cuja massa total é estimada em cerca de 100 quatrilhões de massas solares. A Via Láctea está na periferia desta estrutura, e não no seu centro.

Ao estudar o movimento das galáxias dentro deste vasto volume, os pesquisadores descobriram que todas convergem para uma única região — e é no núcleo de Laniakea que se encontra o Grande Atrator. A distância até ele é estimada entre 150 e 250 milhões de anos-luz, com uma grande margem de erro devido às dificuldades em medições diretas na Zona de Ocultação.

Embora a Via Láctea seja atraída, a expansão do Universo age em direção oposta: o espaço entre estruturas distantes está constantemente aumentando, o que é explicado pela energia escura — uma hipótese usada para descrever a aceleração dessa expansão. A ideia mais aceita hoje é que o Grupo Local nunca realmente se fundirá com o núcleo de Laniakea.

Isso não muda a situação atual: a Via Láctea, o Sol e a Terra continuam a mover-se neste fluxo gravitacional a uma velocidade de 600 km/s, e ninguém no planeta sente este impulso. Da próxima vez que alguém disser que a Terra está imóvel no espaço, vale a pena lembrar que ela está, na verdade, participando de uma corrida cósmica rumo a um destino que talvez nunca alcance.

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