Luz vista no céu reflete o passado devido à velocidade finita da luz
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Luz vista no céu reflete o passado devido à velocidade finita da luz

Sempre que se observa o céu, está-se, na verdade, olhando para o passado. Embora a luz seja o fenômeno mais rápido do Universo, ela necessita de tempo para percorrer vastas distâncias astronômicas, transformando o céu em uma espécie de cronômetro cósmico.

O Sol serve como o exemplo mais imediato desse atraso. A luz solar leva aproximadamente oito minutos e vinte segundos para alcançar a Terra. Consequentemente, o Sol que observamos neste momento não é o Sol atual, mas sim o de alguns minutos atrás.

Com as estrelas, essa diferença temporal se acentua. Os astrônomos utilizam anos-luz para medir distâncias espaciais; um ano-luz representa a distância que a luz percorre em um ano, viajando a quase trezentos mil quilômetros por segundo.

A Proxima Centauri, a estrela mais próxima do Sol após ele, encontra-se a cerca de 4,2 anos-luz de distância. Portanto, a luz que a Terra recebe hoje partiu dessa estrela há mais de quatro anos.

Estrelas mais visíveis a olho nu estão ainda mais distantes. Sirius, considerada a mais luminosa do céu noturno, está localizada a aproximadamente 8,6 anos-luz. Para objetos relativamente próximos como estes, a medição de distância é feita através da paralaxe, uma técnica de triangulação geométrica aceita pela comunidade científica com baixa margem de erro.

Quanto maior a distância do objeto, maior será o intervalo de tempo representado. Uma galáxia situada a bilhões de anos-luz oferece um vislumbre de como ela era bilhões de anos antes, muito antes da existência do Sol e da Terra.

Exploração do tempo cósmico pelo Telescópio James Webb

Este princípio é explorado ao máximo pelo telescópio espacial James Webb, operado pela NASA. Lançado em 2021, este instrumento foca na observação infravermelha, uma luz imperceptível ao olho humano, que consegue penetrar nuvens de poeira cósmica com maior eficácia do que a luz visível.

Essa capacidade permite ao telescópio registrar sinais tênues que levaram bilhões de anos para atingir seus espelhos. Uma das galáxias mais remotas já confirmadas, denominada JADES-GS-z14-0, teve sua luz detectada pelo James Webb após uma jornada estimada em cerca de 13,4 bilhões de anos.

Ao contrário da paralaxe utilizada para estrelas próximas, distâncias tão vastas são calculadas pelo redshift, que é o desvio da luz para o espectro vermelho provocado pela expansão do Universo. Este é um método bem consolidado entre os astrônomos, embora as distâncias obtidas sejam estimativas com uma margem de erro superior à das estrelas vizinhas.

Considerando que o Universo possui cerca de 13,8 bilhões de anos, esta imagem não apenas indica grande distância, mas também funciona como um registro do Universo em seu estado inicial, formado apenas algumas centenas de milhões de anos após o Big Bang. Não há maneira de ver essa galáxia como ela é atualmente; apenas como ela existia naquele momento remoto.

Na próxima vez que se observar o céu em uma noite clara, deve-se lembrar que cada ponto de luz representa uma época distinta. O que se vê não é uma representação única do Universo, mas sim um mosaico de passados sobrepostos, onde cada estrela narra sua própria versão do presente.

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