A Casa Japú, desenvolvida pelo AIA Estúdio, está localizada na área serrana do Rio de Janeiro. O projeto foi concebido tendo em vista a relação intrínseca com a paisagem circundante, sendo que a implantação foi definida por movimentos de terra que criaram uma faixa plana estreita entre as curvas de nível. Neste espaço, o programa arquitetônico se desenvolve de maneira longitudinal, promovendo uma sensação de continuidade e horizontalidade com o ambiente natural.
Os blocos construídos foram intencionalmente afastados da topografia original, resultando na formação de um pátio situado entre a arquitetura e o relevo. Este arranjo visa aumentar a entrada de luz e ventilação natural, integrando os espaços internos à paisagem e criando uma zona de transição entre o que é construído e o terreno.
Uma das premissas centrais do projeto foi a divisão funcional do programa em áreas social e íntima. Essa separação tinha como objetivo assegurar a privacidade dos dormitórios, ao mesmo tempo em que se buscava uma integração completa dos ambientes sociais. Essa diferenciação conceitual é refletida também nas escolhas de materiais e nos sistemas construtivos empregados.
O volume destinado às áreas sociais foi construído utilizando madeira de demolição, apresentando cobertura em duas águas e telhas recuperadas. Esta abordagem permite uma releitura de métodos construtivos tradicionais sob uma perspectiva contemporânea. Este espaço reúne cozinha, salas de estar e jantar em uma área aberta e contínua, permeada pela paisagem, avançando sobre o declive e abrindo-se para o entorno através de amplos painéis de vidro e esquadrias feitas de madeira de demolição. Uma varanda descoberta funciona como uma extensão dos cômodos internos, e ao formar um banco extenso em seu perímetro, estabelece um local de permanência em contato direto com a natureza.
Em contraste, o volume íntimo adota uma volumetria mais sóbria, monolítica, e utiliza concreto e alvenaria em seu sistema construtivo. A maior densidade desses materiais contribui para reforçar a percepção de abrigo e privacidade. Dividido em dois volumes que abrigam as suítes, há um espaço intermediário que garante a privacidade e permite que a paisagem atravesse a estrutura arquitetônica novamente. Sua cobertura plana foi planejada para funcionar como um mirante, expandindo os locais de permanência e oferecendo um novo ponto de observação da paisagem.
Ao longo do contorno desta cobertura, foi implementada uma jardineira que une a vegetação à própria arquitetura, amaciando os limites do volume edificado e estabelecendo uma conexão visual com a flora ao redor, além de proporcionar um espaço para contemplação.
O acesso à residência ocorre por dois caminhos distintos: um para veículos, feito por uma rampa que se conecta à via local, e outro para pedestres, por uma ampla escadaria posicionada entre os volumes construídos. Este trajeto conduz à chegada através da encosta acentuada, marcando uma progressão gradual entre o espaço natural e o espaço construído.
As pedras que foram encontradas durante a movimentação de terra foram integradas ao projeto como componentes arquitetônicos, tanto no exterior quanto no interior. Isso cria uma ligação material contínua entre o local e a edificação, fazendo com que a paisagem passe a ser parte integrante da arquitetura, numa tentativa de dissolver as fronteiras entre o natural e o construído.
