História da Bina: Tecnologia brasileira desenvolvida por Nélio José Nicolai que revolucionou o identificador de chamadas
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História da Bina: Tecnologia brasileira desenvolvida por Nélio José Nicolai que revolucionou o identificador de chamadas

A tecnologia Bina, um recurso essencial nos smartphones modernos para identificar chamadas, tem suas raízes em uma invenção feita por Nélio José Nicolai, um morador de Minas Gerais. Embora hoje seja um sistema aparentemente simples, na época dos telefones fixos, saber quem ligava era um desafio.

A ideia surgiu na mente de Nicolai em 1977, enquanto ele trabalhava na companhia telefônica estatal em Brasília. Seu objetivo era solucionar o problema dos trotes anônimos que afetavam tanto provedores quanto usuários. Após criar a tecnologia de identificação de chamada, ele a nomeou Bina, que é um acrônimo para «B Identifica o Número A».

Nascido em Belo Horizonte (MG), Nélio José Nicolai era filho de um dos fundadores do Cruzeiro e atuou como jogador de futebol até os 21 anos, antes de ingressar em um curso técnico e se formar em engenharia eletrotécnica. Ele sempre se considerou um inventor.

Em uma entrevista concedida à revista Piauí em 2012, Nicolai revelou que muitas de suas ideias vinham de sonhos. A Bina foi uma delas, e ele protocolou a patente em 1980, obtendo o registro oito anos depois. As companhias telefônicas passaram a adotar a Bina globalmente, e Nicolai, conhecido como Nicolai do Bina, viajou pelo mundo palestrando sobre sua criação.

No entanto, no Brasil, ele enfrentou longas disputas judiciais para obter o devido reconhecimento e, principalmente, os royalties. Segundo Nicolai, na época da conversa com a Piauí, as empresas telefônicas deveriam R$ 185 bilhões em royalties, já corrigidos monetariamente. Apesar de ter recebido algum valor, isso não se aproximou da quantia bilionária.

Sua batalha judicial no Brasil começou em 1998, quando ele pleiteou os royalties referentes a uma patente de 1997, que era uma adaptação da Bina para centrais telefônicas digitais, período em que os celulares começavam a surgir no mercado. Ao cobrar as operadoras pelo uso da tecnologia, ele recebeu desprezo, sendo informado de que precisaria recorrer à Justiça.

Em setembro de 2012, ele obteve sua primeira vitória legal. A 2ª Vara Cível de Brasília determinou que a Vivo pagasse em juízo 25% do montante solicitado por Nicolai. Naquele momento, ele informou à Piauí que a empresa ainda não havia efetuado o pagamento. Além disso, ele mencionou ter firmado um acordo com a Claro, que teria reconhecido a patente, embora uma cláusula de confidencialidade impedisse a divulgação do valor, afirmando que foram «alguns milhões, mas nem um décimo do que me devem».

Nicolai faleceu em 11 de outubro de 2017, aos 77 anos, em Brasília (DF), sem ver o desfecho completo de suas ações judiciais. Seus processos foram herdados por sua família e sua empresa, denominada Lune, e permanecem em andamento.

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