Durante a San Diego Comic Con, realizada nos Estados Unidos em julho, a Apple TV apresentou o trailer de Neuromancer, uma adaptação do clássico de 1984 escrito por William Gibson. Neuromancer é reconhecido como uma das obras de ficção científica mais influentes, contribuindo para a disseminação do conceito de ciberespaço e inspirando outras produções, como Matrix.
Nos últimos anos, a Apple TV estabeleceu-se como uma referência importante para os entusiastas do gênero de ficção científica. Essa ascensão deve-se a várias estratégias adotadas pela plataforma.
A Apple TV iniciou suas operações em 2019. Entre suas três primeiras séries dramáticas, estavam títulos de ficção científica, como See e For All Mankind. Zack Van Amburg, um dos executivos responsáveis pelo lançamento do serviço de streaming, afirmou que o princípio orientador da Apple para a criação de seu catálogo era a noção de "humanidade", o que se alinha com o gênero, que frequentemente utiliza o futuro para discutir questões contemporâneas.
Geralmente, investir em produções de ficção científica de grande escala representa um risco considerável devido aos altos custos inerentes a um nicho de mercado. Contudo, a Apple demonstrou disposição para assumir esse risco. Embora o serviço de streaming tenha registrado um prejuízo de US$ 1 bilhão no ano anterior, a lucratividade da empresa-mãe atingiu US$ 112 bilhões, o que mitigou a pressão sobre as decisões criativas. Por exemplo, a série Invasion custou US$ 200 milhões e obteve duas temporadas adicionais, mesmo tendo recebido uma recepção moderada.
Em 2023, quando a série Silo foi adicionada ao catálogo, a Apple implementou uma tática de encadeamento de estreias de ficção científica. Isso envolvia fazer com que os episódios finais de uma série se conectassem diretamente com os capítulos iniciais de uma nova produção, garantindo assim que os fãs do gênero tivessem sempre conteúdo novo disponível. Embora essa estratégia tenha funcionado por um período, o calendário foi afetado pela greve de roteiristas e atores de Hollywood.
Para a Apple, uma corporação de tecnologia, apresentar-se como uma vitrine para produções futuristas é vantajoso. A plataforma tem focado em adaptar clássicos considerados difíceis de serem transformados em mídia, como Neuromancer e Fundação, esta última baseada na obra de Isaac Asimov, que permaneceu em desenvolvimento por muitos anos (a HBO chegou a contratar o roteirista de Interestelar, mas o projeto não avançou).
Ao ser comparada com outros serviços de streaming, a Apple investe um valor menor em conteúdo. Em 2025, seu investimento foi de US$ 7,5 bilhões, em contraste com US$ 9,1 bilhões da Amazon, US$ 18 bilhões da Netflix, US$ 19,5 bilhões da Warner e US$ 23 bilhões da Disney. Apesar de manter um catálogo mais enxuto, a Apple tem conquistado premiações e indicações significativas, como visto nos títulos de ficção científica Ruptura e Pluribus, que são favoritos ao Emmy de 2026.
