Durante uma apresentação sobre o setor, organizada pela Câmara de Comércio Franco-Macau, Eric Chan, gerente regional da IATA para Hong Kong e Macau, destacou mudanças significativas na aviação mundial. No início do século, os EUA representavam dois terços (65%) do tráfego interno mundial, enquanto a participação da China era de apenas 6%.
Hoje, a situação se aproximou do equilíbrio: a China detém 29% de todo o tráfego interno mundial (medido em passageiro-quilômetros pagos), ficando atrás apenas dos EUA, que reduziram sua participação para 37%. Eric Chan enfatizou o enorme poder da China no mercado interno, que demonstra um crescimento impressionante.
O responsável apontou que a concentração de quase um terço dos voos internos mundiais na China reflete uma das maiores transformações estruturais na história do setor, ocorrida em apenas 25 anos. Este crescimento também é notável no aspecto financeiro: a China é o segundo maior mercado de aviação do mundo em contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional, gerando US$ 253,6 bilhões (217,4 bilhões de euros) através de impacto direto, indireto e turismo relacionado.
Na primeira metade de 2026, foram registradas 380 milhões de viagens individuais na China, um aumento de 1% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Na mesma sessão, Chan alertou que o conflito atual no Oriente Médio e os atrasos na entrega de aeronaves podem reduzir pela metade o lucro da aviação comercial global em 2026.
Chan também observou que a escala do mercado interno chinês serve como um apoio crucial em tempos de incerteza internacional, ajudando a absorver choques causados pelo aumento dos preços dos combustíveis e pela escassez global de aeronaves, que afetam as rotas de longo curso. Han Jun, vice-diretor da Administração Estatal de Aviação Civil da China, informou que em julho as companhias aéreas chinesas operaram rotas internacionais regulares em 177 cidades de 80 países em cinco continentes.
No primeiro semestre deste ano, o transporte de passageiros em rotas aéreas internacionais operadas por companhias aéreas chinesas ultrapassou 40 milhões, representando um crescimento anual de 5,7%. Além da capacidade de passageiros e carga, a IATA considera a China como líder futura na transição ecológica da aviação. À luz dos objetivos globais de descarbonização até 2050, prevê-se que o país assuma um papel central na produção e fornecimento em larga escala de combustível de aviação sustentável.
Projetando os próximos 25 anos, período em que a IATA espera que o tráfego mundial mais que dobre, atingindo 21 trilhões de passageiro-quilômetros pagos até 2050, a liderança do mercado interno chinês será o principal motor do setor. Eric Chan concluiu: «A transição da América para a Ásia já ocorreu em 25 anos, e as projeções mostram que os próximos 25 anos seguirão nessa direção. O centro de gravidade deste setor está se deslocando em direção à região da Ásia-Pacífico».
