SpaceX recupera Starship no Oceano Índico e inicia viagem de volta aos Estados Unidos
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SpaceX recupera Starship no Oceano Índico e inicia viagem de volta aos Estados Unidos

Foi realizada com êxito uma operação sem precedentes envolvendo a nave espacial Starship nas proximidades da Ilha Christmas, um território australiano situado no Oceano Índico, a aproximadamente 500 km ao sul de Jacarta, capital da Indonésia.

Michal Václavík, especialista em astronáutica do Czech Space Office (CSO), confirmou através da plataforma X que a Starship foi devidamente colocada sobre o navio semissubmersível Forte, operado pela companhia holandesa Boskalis. Este procedimento é considerado um avanço significativo no processo de resgate de veículos espaciais após testes de voo.

A Starship (S40), utilizada nesta operação, participou do 13º voo de teste da SpaceX, ocorrido em 24 de julho. Após concluir sua missão, a espaçonave retornou à atmosfera e realizou um pouso controlado no Oceano Índico, permanecendo à deriva por várias semanas.

Equipes dedicaram mais de três semanas para rebocar a Starship até uma área de águas mais calmas, perto da Ilha Christmas. Este transporte demandou extremo cuidado para prevenir quaisquer danos à estrutura da nave durante todo o processo.

Segundo informações da emissora australiana ABC, o Forte utilizou seus tanques de lastro para submergir parcialmente seu convés. Com a embarcação parcialmente submersa, a Starship, que possui cerca de 52 metros de comprimento, pôde ser posicionada sobre a estrutura. Posteriormente, os tanques foram esvaziados, permitindo que o navio voltasse à superfície e erguesse a espaçonave para fora da água. Essa manobra possibilitou a remoção do veículo do oceano sem a necessidade de desmontagem no local.

Apesar de ter ficado na água por semanas, a estrutura principal da Starship manteve-se preservada, o que trará dados cruciais para os engenheiros da SpaceX.

Atualmente, o Forte deve iniciar a travessia do Oceano Pacífico com a Starship a bordo, seguindo em direção à Starbase, complexo da SpaceX localizado no Texas, nos Estados Unidos, a uma distância de 17 mil quilômetros. Até o momento, a SpaceX não emitiu nenhum comunicado oficial sobre a data prevista de chegada ao destino.

Ao chegar, os componentes da espaçonave serão submetidos a análises minuciosas. Os itens de maior interesse incluem o sistema de proteção térmica, os motores e outras partes que foram expostas a condições severas durante o voo. Os dados coletados auxiliarão a empresa a compreender o comportamento da Starship após um voo completo e um longo período submerso, contribuindo assim para o desenvolvimento de futuras versões do veículo e para o aumento da segurança em missões cada vez mais complexas.

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A SpaceX divulgou, nesta terça-feira (25), um investimento de US$ 100 bilhões, equivalente a aproximadamente R$ 514 bilhões, destinado à edificação de uma nova unidade de fabricação e lançamento de foguetes localizada na Louisiana, Estados Unidos. Este novo complexo recebeu o nome de Starbase Louisiana e será focado primariamente nas atividades relacionadas ao foguete Starship.

O anúncio foi realizado pela SpaceX em colaboração com o governador da Louisiana, Jeff Landry. A infraestrutura será erguida em Vermilion Parish, na área costeira do Golfo do México, e tem a ambição de se tornar o maior centro de operações espaciais da companhia.

O plano contempla a instalação de dez plataformas de lançamento e uma estrutura projetada para suportar milhares de disparos do Starship anualmente. A fase de construção está programada para iniciar em 2027, com a expectativa de que o primeiro lançamento a partir deste novo complexo ocorra em 2029.

De acordo com a própria SpaceX, esta nova base terá um papel crucial na expansão das operações da empresa com o Starship, o que inclui o envio de grandes volumes de satélites ao espaço.

Embora o escopo do projeto seja vasto, a operação completa demandará alguns anos. A SpaceX planeja usar este local para elevar consideravelmente a frequência dos voos do foguete, que foi desenvolvido para transportar cargas pesadas ao espaço e executar missões destinadas à órbita terrestre, à Lua e, futuramente, a Marte.

A Starbase Louisiana não será apenas um ponto de lançamento; a intenção é estabelecer um grande centro operacional capaz de centralizar todas as fases necessárias para sustentar uma alta cadência de missões. A SpaceX vê esta instalação como um elemento vital para o futuro do Starship, especialmente à medida que ele assumir uma fatia maior das tarefas atualmente executadas por outros veículos da empresa.

Além disso, a escala planejada para a Louisiana permitirá que a SpaceX aumente sua capacidade de lançamento sem depender unicamente da Starbase existente no Texas. O empreendimento deve posicionar Vermilion Parish como um importante polo da indústria espacial estadunidense e representará um dos maiores aportes privados já anunciados para o Estado da Louisiana.

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O 13º voo de teste do foguete Starship, desenvolvido pela SpaceX, realizado em 24 de julho, representou um marco significativo na exploração espacial. Ao contrário das tentativas anteriores, a espaçonave não sofreu explosão ao tocar as águas do Oceano Índico.

Este veículo, que possui 52 metros de altura, equivalente a um edifício de 17 andares, suportou o impacto no oceano e permaneceu flutuando completamente, possibilitando um resgate inédito para a engenharia astronáutica. Em testes precedentes, o contato com o mar resultava em variações extremas de pressão nos tanques, levando ao rompimento imediato da fuselagem e a uma explosão.

Desta vez, a SpaceX conseguiu executar um pouso mais suave, mantendo a integridade da nave, apesar de haver danos esperados no escudo térmico. Este acontecimento criou uma chance única para a engenharia astronáutica: recuperar um veículo logo após seu retorno do espaço.

Durante o programa Olhar Espacial, transmitido na sexta-feira anterior (21), o especialista em astronáutica Pedro Pallotta, fundador e CEO do canal Space Orbit, analisou a combinação de fatores técnicos e sorte que levou ao sucesso do teste. Segundo ele, o fator crucial para impedir que a nave se tornasse uma bola de fogo na água foi o alívio de pressão e o esvaziamento do combustível remanescente nos momentos finais da descida.

Pallotta explicou que a SpaceX modificou o procedimento em comparação com missões passadas, drenando tanto os tanques principais quanto os dois tanques superiores. Ele comentou: “Como comentei, provavelmente baixa pressão dentro dos tanques, ou porque eles já trabalharam, de alguma forma, essa despressurização em relação ao voo anterior”. Ele acrescentou que, nos momentos finais, a queda de pressão nos tanques principais é intensificada para prevenir a explosão, e remover propelente dos tanques superiores ajuda nesse processo, sendo uma união de sorte e tratamento correto, algo surpreendente até mesmo para quem acompanhava a transmissão da SpaceX.

A recuperação completa da nave altera consideravelmente os planos de desenvolvimento e testes da SpaceX. Anteriormente, a equipe de Elon Musk planejava inspecionar uma Starship inteira somente após capturá-la no ar usando os braços mecânicos da torre de lançamento Mechazilla, localizada na Starbase, em Boca Chica, no sul do Texas.

A capacidade de examinar fisicamente a espaçonave oferece informações que a telemetria remota não conseguiria fornecer. Pallotta enfatizou que a prioridade técnica atual é verificar o estado real do escudo de calor e da manta térmica inferior feita de material ablativo. Um grande desafio da reutilização é assegurar que a nave possa realizar novos voos rapidamente, sem depender de reparos dispendiosos ou demorados após cada missão. Além disso, a engenharia da empresa deve confirmar se as longarinas, que são as vigas estruturais de aço inoxidável, e o sistema de apoio de pouso sofreram alguma deformação devido à desaceleração.

Para Pallotta, ter o veículo inteiro disponível evita diagnósticos incorretos ao projetar futuras versões da espaçonave. Ele argumentou: “Mesmo explodindo, eles conseguiam analisar algumas coisas, só que a explosão acaba danificando várias outras áreas de forma permanente. Você consegue até identificar o que foi causado pela explosão e o que foi causado pela reentrada, só que não no veículo todo. Agora, com ele inteiro, você consegue ter uma boa ideia do que aconteceu durante o retorno todo, evitando falso positivo e até interpretações erradas sobre a estrutura do veículo.”

A operação de resgate da estrutura metálica envolveu fixar cabos de reboque na área dos motores, considerada a parte mais robusta da fuselagem. Puxada de volta pelas ondas até a Ilha Christmas, a Starship transformou o evento em uma lição prática sobre como gerenciar imprevistos de grande escala em alto-mar. Conforme resumiu Pallotta, esse esforço inédito compensou todos os quilômetros percorridos. “Qualquer dado que pode ser coletado do item ali inalterado é um benefício gigantesco. A SpaceX teve essa oportunidade e abraçou.”

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