A final do Campeonato Mundial de Robôs Humanoides — os «Jogos Olímpicos dos Robôs» — ocorreu na China na quarta-feira (26). Novos recordes foram estabelecidos no evento.
Um robô da empresa X-Humanoid superou o recorde do atleta Usain Bolt. Em 2009, Bolt estabeleceu um recorde mundial nos 100 metros rasos, correndo a distância em 9,58 segundos no Campeonato Mundial de Atletismo em Berlim, Alemanha. No entanto, o modelo da X-Humanoid correu 100 metros em apenas 9,39 segundos no primeiro dia dos Jogos Olímpicos, no sábado (22).
O robô da X-Humanoid não é o primeiro a quebrar o recorde de Bolt. Em 17 de agosto, a empresa Unitree, também sediada na China, publicou um vídeo de seu robô chamado Superman, que «quebra os limites da humanidade». Na época da publicação deste artigo, o vídeo havia acumulado cerca de quatro milhões de visualizações.
Chamar a atenção para robôs que estabelecem recordes humanos gera visualizações e manchetes. Este foi um dos objetivos dos atuais «Jogos Olímpicos dos Robôs» na China. Outro objetivo do evento não está relacionado a saltos mais altos ou corridas mais rápidas.
Um grande desafio para as empresas nos setores de robótica e tecnologia nos Jogos Mundiais de 2026 era demonstrar a utilidade prática de seus modelos. É necessário mostrar que eles podem ser usados tanto em linhas de produção industriais quanto em ambientes domésticos.
Os «Jogos Olímpicos dos Robôs» de 2026 na China reuniram 2056 robôs humanoides e 666 equipes de 16 países. Os robôs competiram em 51 categorias. Trinta categorias eram esportivas (atletismo, futebol, tênis de mesa), e vinte e uma eram baseadas em cenários práticos (operações de resgate, hotelaria e tarefas de produção).
No geral, o evento serviu como vitrine para o progresso notável em velocidade e força física dos modelos. No entanto, alguns momentos geraram memes, como a queda de um robô após uma corrida estilo «Looney Tunes».
Apesar dos memes, os robôs humanoides ainda enfrentam dois problemas críticos para aplicação real: autonomia e precisão fina. Somente ao superar esses obstáculos, os modelos poderão funcionar fora de ambientes estritamente controlados.
Anderson Moreira, professor do curso de Engenharia de Controle e Automação e coordenador da equipe de robótica do Instituto Maua Technologies, observou em entrevista ao Olhar Digital: «A casa, do ponto de vista da robótica, é muito mais imprevisível do que a fábrica».
O professor também enfatizou que «a competição demonstra capacidade tecnológica, e não maturidade industrial». Ou seja, um fato é bater um recorde esportivo mundial, e outro é ser útil em uma fábrica, por exemplo.
Moreira explicou: «Um robô que completa uma competição é muito diferente de executar a mesma tarefa mil vezes ao longo de meses com segurança, baixo nível de falhas e menor custo do que a alternativa humana ou automação tradicional».
Os próprios meios de comunicação chineses reconheceram a lacuna entre os resultados esportivos e a aplicação real durante a cobertura dos jogos. Um comentário da agência estatal de notícias chinesa Xinhua dizia: «Um robô industrial não precisa vencer uma corrida, e um robô de serviço não precisa de medalha». No entanto, qualquer ganho em velocidade, estabilidade e precisão no palco da competição pode aproximar um pouco os robôs de se tornarem verdadeiramente úteis fora dele.
A verdadeira luta na próxima fase da robótica humanoide reside exatamente em transformar características demonstrativas em desempenho confiável.
Anderson Moreira, professor do curso de Engenharia de Controle e Automação e coordenador da equipe de robótica do Instituto Maua Technologies, acrescentou em entrevista ao Olhar Digital que eventos como os Jogos Mundiais de Robótica Humanoide contribuem para o aprimoramento dos modelos. Ele observou: «Os Estados Unidos, Europa, Japão e Coreia podem continuar a liderar em certas tecnologias, mas estão começando a competir com o ecossistema chinês, capaz de experimentar paralelamente muitas arquiteturas e industrializar rapidamente aquelas que funcionam melhor».
Os robôs humanoides marcam um novo capítulo na rivalidade entre a China e os Estados Unidos. No lado chinês, os eventos de robótica começaram como «feiras científicas», mas graças a dez anos de grandes investimentos no setor, transformaram-se em vitrines estratégicas para as empresas.
Também vale mencionar empresas americanas, como Tesla e Boston Dynamics, que atraem a atenção do público. O que é ainda mais importante, elas atraem contratos. Em janeiro, a empresa de Elon Musk anunciou a interrupção da produção dos carros Model S e X para lançar os exemplares Optimus, seu robô humanoide. E o Atlas da Boston Dynamics apoiou a Hyundai sul-coreana.
Existem várias opiniões sobre o tamanho deste mercado. Analistas e consultorias preveem que até 2026 o mercado terá entre 2 e 11 bilhões de dólares americanos (aproximadamente 10 a 57 bilhões de reais brasileiros). Para os próximos dez anos, prevê-se um crescimento para 35 a 200 bilhões de dólares americanos (aproximadamente 180 bilhões a pouco mais de 1 trilhão de reais brasileiros).
Morgan Stanley foi além: previu que o mercado de humanoides atingiria 5 trilhões de dólares americanos (26 trilhões de reais brasileiros) até 2050, incluindo cadeias de suprimentos relacionadas, bem como reparo, manutenção e suporte. Até meados do século, pode haver mais de um bilhão de humanoides em uso. Nesse cenário, a China lidera essa corrida.
